Resenha do livro: Era Uma Vez no Outono de Lisa Kleypas

terça-feira, 13 de junho de 2017




             Título original: It Happened One Autumm
            Editora Arqueiro
            Literatura Estrangeira/Romance Histórico
            Número de páginas: 283

Sinopse: “A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido da aristocracia londrina. Contudo nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa. Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar. Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há o homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que um conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?

‘Era uma vez no Outono” é o segundo volume da série As Quatro Estações do Amor e agora é a vez de conhecer a história de uma das minhas personagens favoritas do livro anterior: a irreverente Lillian Bowman.

Com muito dinheiro e uma língua ferina, Lillian é, de longe, a mais divertida das autointituladas “Flores Secas” (o grupo de quatro amigas que se uniram no volume anterior para se ajudarem a arrumar marido) e suas respostas irreverentes me fizeram gostar ainda mais da personagem.

Convidadas novamente a passarem alguns dias na propriedade dos Marsdens, em Hampshire, Lillian, sua irmã Daisy, Evie e Annabelle veem nesse convite a oportunidade perfeita para arranjarem um marido para a Flor Seca da vez, Lillian. Devido ao fato de ser americana, nossa protagonista precisa casar com algum aristocrata, para, enfim, ser completamente aceita na sociedade londrina. Contudo, seus modos não muito educados (segundo as regras de etiqueta da aristocracia londrina) e seu temperamento difícil tornam essa tarefa quase impossível. Quase.

Já no volume anterior, foi impossível negar a química entre Lillian e Marcus Marsden, o conde de Westcliff. Com temperamentos muito parecidos, os dois têm tudo para serem um casal perfeito – isso, claro, se eles não se matarem antes.

“– Medo de você? – disse Lillian sem pensar. – Meu Deus, eu nunca teria.Westcliff inclinou a cabeça dela para trás e a encarou, e um sorriso se espalhou lentamente pelo seu rosto.– Não, não teria – concordou. – Você seria capaz de cuspir no olho do demônio, se quisesse.” (pág. 195)

Marcus tem apenas um interesse na família Bowman: fechar uma parceria com a saboaria da família. Bom, pelo menos é isso o que ele diz para si mesmo. Mas a proximidade de Lillian vai mexer com o controlado conde, fazendo-o perder a razão diversas vezes.

Apesar de estar apaixonada por Marcus e saber que ele também se sente atraído, Lillian sabe que Westcliff jamais se casará com ela. Afinal, ele possui o título mais antigo da aristocracia londrina e é convencional demais para ignorar todas as expectativas e se casar com uma americana mal educada e desbocada. É nesse momento que um possível pretendente aparece para Lillian.

Sebastian St. Vicent, herdeiro do ducado de Kingston, está praticamente falido e vê em Lillian a oportunidade perfeita para seus problemas financeiros. Por outro lado, ela vê em St. Vicent a chance de casar-se com um aristocrata e, de quebra, conseguir um titulo maior do que o de Westcliff. Além disso, ela adoraria ver Marcus obrigado a chamá-la de Vossa Graça...

A presença de um novo pretendente, ainda mais com a fama de libertino e depravado de St. Vicent, faz com que Marcus se morda de ciúmes. Mas será que isso será o suficiente para fazer com que o nobre tão controlado vá contra as convenções sociais e assuma seus verdadeiros sentimentos? Lillian e Marcus seriam capazes de deixar de lado suas rixas e viverem um grande amor? Ou tentar juntá-los seria o mesmo que prender dois leões enfurecidos dentro de uma jaula? 

A história é escrita em terceira pessoa e flui muito bem. Além de ter uma escrita super leve, os diálogos protagonizados por Lillian rendem boas risadas. As páginas são amarelas, a diagramação é simples e a capa está linda, seguindo o padrão do volume anterior.

Estou ansiosa para ler o próximo volume, principalmente porque as últimas páginas desse livro me permitiu um pequeno vislumbre da enrascada na qual Evangeline Jenner vai se meter...
Favoritado! <3


Gabriele Sachinski

Minha Caixinha do Correio #58

sábado, 10 de junho de 2017






















Olá gente,

Segue caixinha do correio acumulada dos últimos meses só com livros da Editora Arqueiro. Os livros são lindos e alguns vieram com kits incríveis!

Em breve resenha de todos eles. Obrigada Arqueiro! <3




CORTESIAS












Beijos

Resenha do livro: Minta que me ama de Maria Duffy

quarta-feira, 31 de maio de 2017




               Título original: Any Dream Will Do
           Editora Novo Conceito
           Literatura Estrangeira/Ficção Irlandesa
           Número de páginas: 380

Sinopse: “O inverno é a estação mais aconchegante do ano, mas Jenny Breslin não se sente nada confortável. Tudo na sua vida a total ausência de romance, o emprego chatíssimo no banco foi tocado pela mágica das festas de fim de ano. A simples ideia de passar por mais um Natal com a sua mãe extravagante e Harry, o novo namorado dela, a enche de pavor. Mas isso é na vida real... No Twitter, as coisas não poderiam estar mais interessantes. Nele, Jenny tem uma carreira em ascensão, uma vida amorosa sensacional e uma agenda superconcorrida. Então, em uma noite de bebedeira, Jenny está tuitando com suas amigas Zahra, Fiona e Kerry. E de repente ela as convida para passar alguns dias em sua casa em Dublin. À medida que a sua vida virtual entra em rota de colisão com a sua verdadeira rotina, Jenny não sabe para onde correr. Tudo parece contribuir para mostrar que a existência das suas companheiras de Twitter é um milhão de vezes mais interessante do que a sua. O fim de semana chega, e segredos são compartilhados. Jenny começa a perceber que, enquanto ela sonhava, as coisas acontecem bem depressa. Será que é muito tarde para que ela volte a assumir o controle da sua própria e verdadeira vida?”

Jenny Breslin está com quase 30 anos, tem um trabalho do qual não gosta e uma vida amorosa quase inexistente. Some a isso o fato de ter apenas duas amigas e um relacionamento complicado com sua mãe. Qual o resultado? Uma vida totalmente sem graça e sem sentido. Pelo menos, essa é a opinião de Jenny sobre si mesma.

Com muito tempo livre, Jenny acaba se viciando no Twitter, justamente porque ele lhe oferece a chance de ser uma pessoa totalmente diferente. Nessa rede social, Jenny pode ter um emprego sensacional, encontros incríveis e românticos e uma agenda cheia de coisas interessantes para fazer. E o melhor: ninguém teria como saber que a sua vida real não era bem assim...
Ou não teriam, caso Jenny não tivesse convidado suas amigas tuíteiras para ficarem um final de semana em sua casa. Agora Zahra, uma maquiadora das celebridades, Fiona, uma mãe e esposa exemplar, e Kerry, uma enfermeira dedicada, chegarão em pouco tempo e descobrirão o quanto a vida de Jenny é chata e sem graça.

Conforme a data da visita das meninas vai chegando, Jenny vai ficando cada vez mais desesperada. Além disso, parece que sua mãe resolveu arrumar um namorado que, por mero acaso do destino, Jenny já tinha dado um bom amasso. Para piorar um pouco mais, seu relacionamento com Tom parece não ir para frente e uma das melhores amiga de Jenny, Paula, acabou de terminar o namoro e vive chorando pelos cantos. Tudo isso faz com que Jen se arrependa amargamente das três taças de vinho que tomou antes de convidar suas amigas para um final de semana divertido em Dublin.

Quando o dia finalmente chega, Jenny já está mais tranquila e confiante, mas as coisas começam a sair de seu controle rapidamente. Isso porque Zahra não se parece em nada com a famosa maquiadora confiante que Jenny imaginou, Fiona trouxe o filho de quatro anos junto e Kerry disse que não poderia vir, pois acabou tendo que trabalhar naquele fim de semana.

“O Twitter era ótimo enquanto estava restrito à Twitterlândia, mas, desde que ele saiu do meu computador e veio me visitar na vida real, as coisas se tornaram mais complicadas que eu imaginava.” (pág. 331)

Junto com essas surpresas, vieram outras. Parece que Jenny não foi a única que andou mentindo sobre si mesma no Twitter. Aliás, comparado com os segredos das outras meninas, as mentirinhas de Jenny são inofensivas e sem importância. Rapidamente, um final de semana que deveria ser tranquilo e divertido acaba se tornando um pesadelo e Jenny não vê a hora de tudo isso acabar. Confesso que enquanto ela sofria, eu dava muita risada de suas trapalhadas (e sentia um pouquinho de vergonha alheia também rs).

Devido ao título do livro, imaginei que a história teria o foco sobre algum romance, mas isso não aconteceu. Na verdade, durante todo o enredo, acompanhamos Jenny resolvendo seus problemas e se redescobrindo. Ao ser apanhada no meio das mentiras das outras tuíteiras, Jenny percebe que sua vida não é tão ruim quanto ela imaginava e que outras pessoas adorariam ser ela. Além disso, ela consegue se aproximar da mãe e, de quebra, recupera um pouco de sua autoestima. Acompanhar esse crescimento da personagem (e rir de suas trapalhadas) foi, para mim, o ponto principal do livro.

Outro ponto forte no livro é a reflexão que ele permite. Por que as pessoas mentem em redes sociais? Por que tentam fingir ser outra pessoa para agradar os outros? Por que acham que ser elas mesmas, com todos os seus defeitos e falhas, fará com que o outro goste menos de quem realmente se é? Talvez, porque sempre esqueçamos que a mentira tem perna curta e que, mais cedo, ou mais tarde, seremos apanhados pela roda viva que nós mesmos inventamos...

A história é narrada em primeira pessoa, na voz de Jenny, o que nos permite acompanhar em primeira mão os dilemas hilariantes da protagonista. As folhas são amarelas e a diagramação é simples. Em alguns capítulos, temos trechos de sonhos/pesadelos de Jenny, o que, para mim, ficou meio perdido na história, já que não acrescentam em nada na narrativa. Outra coisa que, na minha opinião, ainda não fez sentido foi o título do livro, pois até agora não consegui estabelecer relação alguma entre o título e a história.

Apesar desses pequenos detalhes, gostei bastante do livro e recomendo a sua leitura, principalmente para aqueles que procuram algo mais leve e divertido.


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar de Esther Earl

segunda-feira, 22 de maio de 2017
   
  



           Título original: This star won’t go out
           Editora Intrínseca
           Literatura Infanto-juvenil/Biografia
           Número de páginas: 446


Sinopse: “Diagnosticada com câncer da tireoide aos doze anos, Esther Grace Earl era uma adolescente talentosa e cheia de vida. Fazendo jus ao nome, que em persa significa “estrela”, ela marcou todos em seu caminho com sua generosidade, esperança e altruísmo enquanto enfrentava com graciosidade o desgaste físico e mental causado pela doença. Filha, irmã e amiga divertida, alto-astral e inspiradora, Esther faleceu em 2010, logo após completar dezesseis anos, mas não sem antes servir de inspiração para milhares de pessoas por meio de seu vlog e dos diversos grupos on-line de que fazia parte. A estrela que nunca vai se apagar é uma biografia única, que reúne trechos de diários, textos de ficção, cartas e desenhos de Esther. Fotografias e relatos da família e de amigos ajudam a contar a história dessa menina inteligente, astuta e encantadora cujos carisma e força inspiraram o aclamado autor John Green a dedicar a ela sua obra best-seller A culpa é das estrelas.”

A estrela que nunca vai se apagar é uma biografia emocionante. A história de Esther Grace Earl é contada alternando trechos de seu diário, de seu blog, do blog de seus pais e por comentários daqueles que foram tocados e cativados por ela.

Estrela, como era chamada por seus pais, sempre foi uma menina alegre, cheia de vida e luz. Aos 12 anos, começou a sentir muito cansaço e falta de ar. Nessa época, a família morava na França. Quando levada ao hospital, os médicos pediram diversos exames e constataram que Esther tinha câncer de tireoide. 

Devido à doença e ao fluído que se acumulava em seus pulmões, Esther passou por diversas cirurgias e outros procedimentos, um mais complicado que o outro. Além disso, outros problemas de saúde surgiram em decorrência do câncer. Mas nada disso foi capaz de diminuir o brilho e a vontade de viver de Esther. Ela estava ciente de que, a partir do momento em que recebeu o diagnóstico, a morte passaria a ser sua companheira de estrada, mas ela estava tranquila quanto a isso. Ela só queria viver e amar a todos, tanto quanto pudesse.

“Quando o dia chegar, seja em um, dez ou sem anos, eu não quero que vocês pensem em mim e fiquem tristes. Mesmo agora que estou viva, não pensem em mim e digam ‘Pobrezinha’. É uma pena que ela esteja doente’.” (pág. 135)

Como a doença parecia avançar cada vez mais, a família mudou-se para os Estados Unidos, onde o tratamento para esse tipo de câncer é mais avançado. Eles sabiam que a cura para Esther era praticamente impossível, mas o que eles queriam, na verdade, era mais tempo com ela.

Apesar de ter tido uma vida curta, Esther cativou milhares de pessoas com seus vídeos no YouTube e seu sorriso sincero e acolhedor. Como quase não podia sair de casa, devido ao cansaço decorrente da doença e do tratamento, ela fez diversos amigos online. O que os uniam? Bem, no começo era o amor por Harry Potter. Depois, era o amor por Esther Grace Earl. 

A história de vida dessa guerreira é linda. As páginas são coloridas, brancas, verdes e vermelhas, repletas de fotos e desenhos feitos por ela e alternam relatos dos amigos, dos pais e da própria Esther. Dá para perceber que a editora teve muito cuidado na diagramação do livro. 

Na introdução, escrita por John Green, ele narra como conheceu Esther e diz que seria um equívoco achar que a história narrada por ele em ‘A Culpa é das Estrelas’ é sobre essa Estrela. Sim, ele se inspirou nela, mas são duas histórias diferentes. Realmente são. Mas, durante a leitura, podemos perceber que Hazel Grace e Esther Grace têm muito mais em comum que apenas o nome do meio.
Vale muito a pena ler e se emocionar! :’)


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Darkmouth de Shane Hegarty

terça-feira, 9 de maio de 2017



         
           Editora Novo Conceito
           Literatura Infanto-juvenil/Ficção Irlandesa  
           Número de páginas: 335

Sinopse: “Existem cidades onde o limite entre o nosso mundo e o mundo dos monstros – que na verdade se chamam Lendas – é muito estreito. Darkmouth é uma dessas cidades. É lá que mora Finn, filho do último dos Caçadores de Lendas. Em breve, então, o próprio Finn será o último dos Caçadores de Lendas. O problema é que... ele é um fiasco. E, para piorar as coisas, o líder das Lendas está planejando uma invasão terrível e definitiva que começará exatamente por... Darkmouth.” 

Sempre gostei de literatura infanto-juvenil, justamente por ter um estilo de escrita fluído, ótimo para quando o cérebro está sobrecarregado e o que você mais deseja é mergulhar de cabeça em uma história divertida, leve e rápida. Eu estava em um desses momentos, e Darkmouth apareceu para me salvar.

Finn é um menino de 12 anos que vive em uma cidadezinha chamada Darkmouth – daí o nome do livro. A cidade teriam tudo para ser pacata se não fosse por um pequeno problema: ela encontra-se sobre uma fenda entre nosso mundo e o Mundo Infestando, recebendo sempre a visita indesejável das Lendas (teoricamente, monstros), as quais cabem a Finn derrotar.

Desde que aprendeu a andar, ele sabe que está destinado a herdar o posto de Caçador de Lendas de Darkmouth, mas não esperava que isso fosse ocorrer tão logo. Acontece que seu pai, Hugo, O Grande, recebeu um convite para integrar o Conselho dos Caçadores de Lendas e está mais do que ansioso por assumir o cargo, pressionando ainda mais o pobre Finn.

Sem amigos para desabafar, o menino tenta aceitar seu destino e aprender a ser um bom caçador, mas ele é um completo fracasso. Além de destrambelhado, ele morre de dó de machucar as Lendas, mesmo que essas estejam mais do que desejosas em matá-lo (tadinho, gente, mas eu ri muito das frias em que ele se meteu por sentir pena rsrsrs).

Com o aniversário de treze anos se aproximando, Finn se vê cada vez mais pressionado por seu pai. Para piorar – como se precisasse -, parece que as Lendas estão se organizando a fim de invadirem e tomarem nosso mundo, começando justamente por Darkmouth. Cada nova Lenda que surge na cidade é um novo fuzuê: carros são destruídos, barcos afundados, muros derrubados... E cada criatura parece sempre conhecer Finn. Ao que tudo indica, há uma espécie de maldição envolvendo o garoto, sua morte e a queda de nosso mundo.

“ – Animais! – disse Broonie, muitíssimo insultado. – não sou um animal. Vocês são os animais. Se vocês acham que eu pareço estranho, deveriam saber que vocês não são muito bonitos, com suas orelhas pequenininhas, dentes alinhados, pele de cor estranha e essas narininhas patéticas. Vocês nunca encontrariam namorados ou namoradas com nariz assim tão pequeno.”

Com a invasão iminente, mais caçadores surgem na cidade, mas seu pai se recusa a aceitar ajuda, pois a cidade é responsabilidade da família dele desde sempre. Porém, com três, cinco, dez portais sendo abertos ao mesmo tempo, eles não terão alternativa. E como se não bastassem as Lendas, um amigo muito próximo da família está mais do que disposto a ajudar a maldição a se cumprir...

Na verdade, não só o amigo em questão, mas a cidade toda adoraria acabar com essa história de caçadores e expulsar a família de Finn da cidade. E eles não poderiam ter escolhido um momento pior para se revoltarem: a mãe do menino foi sequestrada e arrastada para o Mundo Infestado, seu pai foi atrás para resgatá-la e Finn não tem nem ideia do que fazer ou do que salvar, se seus pais, a cidade ou ele mesmo. Como nosso herói desastrado vai sair dessa? Qual será sua escolha? E qual o preço a pagar por ela? Afinal, não há vitórias sem sacrifícios...

A história é narrada em terceira pessoa e tem um ritmo bem parecido com Percy Jackson, mas o enredo é bem diferente, apesar de todos apostarem se tratar de uma releitura deste último. A capa pode não ser das mais bonitas, mas a diagramação é simplesmente fantástica, cheia de ilustrações e mapas, o que auxilia bastante em captar as ideias que o autor quer exprimir. As páginas são amarelas, a fonte é de um tamanho razoável e os capítulos são curtos e rápidos.

Se você é adolescente ou criança e gosta desses universos mágicos, você vai amar esse livro. Se você é uma criança crescida, assim como eu, mas que adora uma história leve e divertida, vai gostar também. Agora, se você acha que já está velho demais para esse tipo de literatura... Ah, deixe de bobeira e dê uma chance ao livro, garanto que você dará boas risadas e se lembrará da sua fase de adolescente desengonçado (afinal, todos nós a tivemos hehehe).


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Sussurros do País das Maravilhas de A.G. Howard

quinta-feira, 27 de abril de 2017




           Título original: Untamed
           Editora Novo Conceito
           Literatura Estrangeira/Ficção/Fantasia
           Número de páginas: 271



Sinopse: “Alyssa Gardner entrou na toca do coelho para assumir o controle do seu destino. Ela sobreviveu à batalha pelo País das Maravilhas e por seu coração. No conto ‘O Menino da Teia’, Alison relembra o período em que viveu no País das Maravilhas e resgatou o homem que se tornaria seu marido e pai de sua filha, Alyssa. No ‘A Mariposa no Espelho’, conhecemos as lembranças de Morfeu, de quando ele mergulhou nas memórias de Jeb para descobrir os segredos dele e tentar ganhar, de uma vez por todas, o disputado coração de Alyssa. No ‘Seis Coisas Impossíveis’, Alyssa revive os momentos mais preciosos de sua vida após os acontecimentos em Qualquer Outro Lugar, e o papel mágico que desempenhou para preservar a felicidade daqueles que ela ama. Em ‘Sussurros do País das Maravilhas’ você encontrará três contos de lembranças inéditas e inesquecíveis. Junte-se novamente aos personagens da série O Lado mais Sombrio e embarque nesse fantástico mundo.”


          Atenção! Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores


Gente do céu! Preciso confessar a vocês que meu coração encontra-se partido pelo fim dessa série sensacional que eu amo de paixão. É claro que eu sei que não há nenhuma forma de prossegui-la, até mesmo porque o que me conquistou mesmo nessa série foi o Jeb, e como o encontraremos nesse livro com 80 anos, não tem sentido algum continuar sem ele, mas mesmo assim o coração dói um pouquinho.

Sussurros no País das Maravilhas traz algumas cenas que ficaram abertas a nossa imaginação em ‘O lado mais sombrio’ e ‘Qualquer outro lugar’, os livros 2 e 3, respectivamente, da série Splintered. Agora temos apenas três contos e em cada um deles nos apaixonamos ainda mais por essa releitura fantástica da história de ‘Alice no País das Maravilhas’ criada por essa rainha, a linda A. G. Howard (incrível como as iniciais da autora batem com as de Alyssa depois de casada com Jeb – Alyssa Gardner Holt).

No primeiro conto, O Menino da Teia, temos um vislumbre da vida dos casais (Al e Jeb, Alison e Thomas, Jen e Corb) depois do retorno de todos ao reino humano – portanto, essa história estaria logo após o fim do livro 3, ‘Qualquer outro lugar’. O foco desse conto é a vida de Alison e Thomas, os pais de Al, e alterna entre o presente e o passado. 

Enquanto espera para sair para jantar com Thomas, Alison relembra momentos de sua infância como órfã, seus primeiros contatos com Morfeu, como encontrou o caminho até a toca do coelho, como enfrentou os desafios pela coroa do País das Maravilhas e como desistiu dela pelo menino que salvou da Irmã Dois.  Antes de irem ao restaurante, Thomas leva sua esposa para uma visita ao trem das memórias, a fim de darem um passeio pela história dele, desde sua infância até o momento em que ela o salvou. É muito interessante a forma como Howard constrói os sentimentos de Alison, tão real que chegamos a sentir as mesmas coisas que ela: nostalgia, culpa, medo, amor e libertação. 

 O segundo conto, A mariposa no espelho, seria uma espécie de 2.5, pois a história se passa logo após o término do segundo livro, Atrás do Espelho, e antes do terceiro. Nesse conto, acompanhamos Morfeu até o trem das memórias para que ele observe as lembranças de Jeb – o que não passa de uma tática do Mariposão para descobrir meios de fazer Alyssa escolher a ele e não a Jeb. 

A intenção de Morfeu ao especular as memórias do ‘pseudoelfo’ não é nada nobre, porém ele acaba abalado no final. Depois de mergulhar na mente de Jeb, ele descobre que nosso cavalheiro possui um grande senso de honra e um amor maior ainda por Al, capaz até mesmo de dar sua vida por ela sem pensar duas vezes – o que o torna muito mais digno do amor de Alyssa do que a Mariposa manipuladora. 

“O romance não era uma coisa justa. Não era um jogo. Era guerra. E, como em qualquer outro campo de batalha, não lhe cabiam a compaixão e a misericórdia.” (pág. 121)

Começamos a leitura do conto ‘Seis Coisas Impossíveis’ com Alyssa morta. Ou quase. Aqui conhecemos o fim definitivo da série e temos alguns vislumbres de cenas que só existiam em nossa imaginação: as 24 horas que Al concedeu a Morfeu antes de sua volta definitiva ao reino humano, o casamento e a família maravilhosa que ela construiu com Jeb, os sonhos passados ao lado de Morfeu e a perda daqueles que Alyssa mais amou na vida. Tudo isso e um pouco mais até o momento em que ela decide acabar com sua existência humana e assumir seu lugar como rainha no mundo intraterreno.

Após a ‘morte’ de Al, a qual, por descuido, quase se tornou verdadeira, ela assume o trono no País das Maravilhas e o seu lugar ao lado de Morfeu – tá legal, aqui até eu meio que me apaixonei pela Mariposa, mas meu coração ainda é do Jeb <3. É claro que conheceremos mais sobre o filho deles, aquele mesmo de quem soubemos a futura existência no livro passado: o príncipe que seria capaz de sonhar e restaurar o reino. Mas, como a fruta não cai longe do pé, a criança nem nasceu e já se mostra filha de Morfeu – teimosa, egoísta e mágica. Vai dar o que ver para eles conseguirem convencê-lo a nascer...

Assim como nos demais volumes, a capa está sensacional e a diagramação perfeita. As páginas são amarelas e granuladas e as histórias são narradas em primeira pessoa, primeiro na perspectiva de Alison, depois na de Morfeu/Jeb e, por fim, na de Alyssa.

Como eu disse na resenha do livro passado, ainda não estou preparada para me despedir, pois nunca dizemos realmente adeus aos nossos livros preferidos. Então, até mais, meus lindinhos. Em breve os lerei novamente e passarei mais um tempinho ao lado desses personagens maravilhosos – em especial do moreno lindo dos olhos verdes ;) kkkkkkk 

P.S.: Preciso agradecer à Editora Novo Conceito por atender nossos pedidos e publicar esse livro maravilhoso, me permitindo mais uns momentos nesse universo fantástico e me rendendo mais uns suspiros dedicados ao lindo Jebediah Holt. Obrigada, NC! <3


Gabriele Sachinski


Resenha do livro: Nada Consta de Danilo “Japa” Nuha

quarta-feira, 12 de abril de 2017






           Editora Geração
           Literatura Brasileira/Ficção/Autobiografia
           Número de páginas: 168


Sinopse: “Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.” 

“Nada Consta” é um daqueles livros que deveriam vir com a indicação “não tente fazer isso em casa”. Contando sua própria história, Danilo alterna entre suas escassas memórias sobre sua adoção por um casal de japoneses, sua escala como trabalhador no Japão, sua volta ao Brasil e o curso de jornalismo, o retorno ao país do sol nascente como repórter e a volta definitiva (e meio decadente) à terra natal. No meio desses relatos, Danilo conta diversas enrascadas nas quais se meteu e como conseguiu sair de cada uma delas.

Confesso que acabei relacionando a adoção de Danilo com a do personagem Norbit, do filme “Norbit: uma comédia de peso”. O fato de ele ter sido abandonado e adotado por um casal de japoneses me levou a conectar as duas histórias. Mas as semelhanças pararam por aí, rs.

Aos 16 anos, Danilo viaja para o Japão para trabalhar como operário nas empresas japonesas que estavam em ascensão. Além de trabalhar como operário, atua como contrabandista de mercadorias e traficante de drogas, juntamente com um primo seu. Cansado dessa vida, ele resolve retornar ao Brasil e correr atrás do seu sonho de ser jornalista. 

Depois de formado, Danilo retorna ao Japão, mas dessa vez para trabalhar como repórter em um jornal destinado aos imigrantes brasileiros. Após algumas matérias – dentre as quais ele entrevistou Milton Nascimento –, ele acaba sendo preso e demitido do jornal. Sem emprego, começa a fazer alguns bicos, principalmente como contrabandista.

“E se eu não tivesse ido até o final e, de língua, beijado a lona? O tempo ensina: beijar a lona com grandezas é coisa para poucos. Com derrocadas tão intensas, só perdem aqueles que nelas não se inspiram.” (pág. 165)

De volta à terra natal, Danilo trabalha como vendedor de CDs e conhece muitas estrelas da música brasileira – João Donato, Roberto Carlos, Criolo, Racionais, Almir Sater, entre outros. Além das celebridades, traficantes, contrabandistas, moradores de comunidades, prostitutas e garçons formam seu grande grupo de amigos, com os quais ele vive as mais diversas experiências.

A narração alterna entre presente e passado, entre Japão e Brasil, sem qualquer relação necessária entre um capítulo e o próximo (o que é bem plausível, já que se trata de um “livro de memórias”). As páginas são brancas e a diagramação é simples. Há uma seção de fotos, quase um álbum, bem no meio do livro, que comprovam diversas histórias malucas narradas por Danilo. 

Uma coisa que chama bastante a atenção no livro é a presença de palavras japonesas, as quais eu ficava tentando pronunciar e me sentia como o Whindersson Nunes no vídeo “Sou Fluente em Japonês” – o que, por si só, já me rendia boas risadas.

Danilo Japa Nuha é o exemplo do cara que faz tudo errado, mas que acaba dando certo. Mesmo passando por perrengues, ele nunca perdeu o bom humor (algumas vezes encontrado em atividades ilícitas) e sempre batalhou para melhorar sua situação, pois, nas palavras do próprio autor, “como não viemos ao mundo pela zona sul, com rosto de galã e família de novela das oito, tentamos superar isso com estilo, bom humor e imaginação” (pág.19).


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Uma Chance para Recomeçar de Diana Scarpine

terça-feira, 28 de março de 2017




               Editora Pandorga
               Literatura Nacional/Romance
               Número de páginas: 427

Sinopse: “Carina é uma workaholic rica e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma das suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e deseja aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe sequelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos precisam ser vencidos para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?”

Ler esse livro representou um desafio para mim, pois confesso que o tema levanta certas crenças minhas que criam logo de cara barreiras para que eu goste do livro. Contudo, depois que consegui deixar isso de lado, a história começou a fluir e consegui me envolver com os personagens.

Carina é o tipo de pessoa que tenta preencher seu vazio emocional com trabalho e mais trabalho. Aos 32 anos e gerente da rede de supermercados de sua família, ela precisa constantemente provar a seu pai (e a si mesma) que é tão boa quanto o filho homem que ele tanto desejou, mas que não chegou a ter. 

O ritmo acelerado de sua vida profissional faz com que Carina não tenha tempo para se cuidar. O estresse é tanto que ela chega a ter uma paralisia facial. Ao buscar ajuda médica, Carina se vê obrigada a se afastar um pouco de seu trabalho e começa a cuidar de si mesma, ao menos uma vez na vida. Como parte de seu tratamento, o médico pede para que ela faça sessões de fisioterapia e ela escolhe fazê-las em uma clínica perto de sua casa. 

Um dia, na sala de espera da clínica, Carina conversa com uma senhora que lhe recomenda a massoterapia como uma forma de relaxar do estresse do dia a dia. Carina resolve experimentar e marca as sessões para logo após a fisioterapia. Como Aurélio é o que tem mais horários disponíveis, ela acaba marcando suas sessões com ele.

Aurélio é um homem de 37 anos, que sofreu um grave acidente há 10 anos, no qual perdeu sua esposa e filha, sua visão e toda a sua vontade de viver. Depois de superar alguns traumas, Aurélio volta a trabalhar na clínica, porém percebe que muitos pacientes se recusam a ser atendidos por ele – com 50% do corpo queimado, e atormentado pela culpa, ele acredita ser um monstro e não recrimina as pessoas por desejarem se manter afastadas.

Carina, sem qualquer autoestima, sente vergonha por sua paralisia e permanece a sessão toda de massoterapia de cabeça baixa, não percebendo que Aurélio é cego. Devido a isso, ela dá algumas bolas foras e fica se sentindo culpada quando descobre suas gafes.

Determinada a se desculpar, ela vai à próxima massagem e tenta se aproximar de Aurélio, a fim de se explicar. Ele não baixa a guarda, pois não acredita que ela queira realmente ser sua amiga e deve estar achando uma forma de humilhá-lo ainda mais. Mas Carina não faria isso. Extremamente gentil e educada, ela vai aos poucos conseguindo se aproximar de Aurélio. Essa aproximação, porém, fará com que ela se sinta cada vez mais atraída por ele.

Aurélio acaba cedendo e se permitindo encontrar em Carina uma amiga. Porém, os sentimentos que ela diz sentir por ele fazem com que ele se afaste, pois ainda ama sua falecida esposa e jamais haveria espaço para outra mulher em sua vida. Nesse momento, Aurélio é bem ríspido com Carina na tentativa de afastá-la e eu fiquei dividida entre apoiar o seu pensamento e repreender suas atitudes.

O tempo vai passando (e com ele mais problemas surgem) e os dois acabam se encontrando e reaproximando novamente, pois ambos careciam de um amigo. Aos poucos, Aurélio vai assumindo para si que ama Carina, mas acredita que nunca poderá declarar seu amor, pois ele se recrimina por sua aparência e acha ser indigno de ser amado novamente.


“Há várias formas de enxergar a beleza, e nem sempre o que é belo para uma pessoa é belo para outra. Além disso, acredito que beleza e feiura são duas faces da mesma moeda: há sempre beleza na feiura, e feiura na beleza.” (pág. 88)

Eles ficam um boooooom tempo nesse chove-não-molha, o que chega quase a ser cansativo, mas acaba dando um ar de realidade para a história (afinal, quem nunca ficou indeciso em relação aos sentimentos de outra pessoa?). Para poderem, enfim, ficar juntos, Carina e Aurélio precisarão superar imensos desafios e preconceitos, principalmente os que eles têm contra si mesmos e que ameaçarão acabar com essa história de amor. 

Em um primeiro momento, pode parecer que a história é bem fraquinha, bem água com açúcar. Contudo, a autora trabalha temas muito importantes na obra: traumas, desilusões, dificuldades, (auto) preconceitos, acessibilidade, autoestima, machismo, relacionamento familiar, perdão... Todos esses temas permeiam o enredo e são tratados com tamanha delicadeza e veracidade que parece que a autora está descrevendo situações do nosso dia a dia.

Acredito eu que o que mais faz com que nos envolvamos com os personagens, a ponto de nos fazer rir, chorar, sofrer e torcer por eles, é o fato de que Carina e Aurélio são como eu e você, pessoas normais, cheias de defeitos e inseguranças e que mal sabem o rumo que dar à própria vida.  Eles não são o casal de mocinhos tradicionais dos romances, capazes de encontrar as soluções perfeitas para seus problemas. Pelo contrário, eles agem de cabeça quente e depois precisam lidar com as consequências (nem sempre agradáveis) de suas escolhas – é, eu entendo vocês rsrsrs.

A história é narrada em primeira pessoa, sempre alternando o foco narrativo entre Carina e Aurélio, o que nos permite uma visão mais apurada de todos os dilemas pelos quais o casal passa. As folhas são amarelas, os capítulos curtos e rápidos. A diagramação é em delicada, com flores no início de cada capítulo (<3). A capa é bem fofa, com os passarinhos se libertando da gaiola – o que casa muito bem com a história.

Esse é um daqueles livros que só resta dizer: vem ler e se emocionar você também! :)



Gabriele Sachinski



Resenha do livro: Segredos de Uma Noite de Verão de Lisa Kleypas

sábado, 11 de março de 2017




               Título original: Secrets of a Summer Night
            Editora Arqueiro
            Literatura Estrangeira/Romance Histórico
            Número de páginas: 288

Sinopse: “Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. ”

Esse é o primeiro volume da série “As Quatro Estações do Amor”, de Lisa Kleypas. Nesse primeiro livro, ficamos conhecendo a história de Annabelle Peyton que está em sua quarta e última temporada na sociedade londrina. Talvez desesperada seja pouco para descrever a sua situação vendo sua família ficar cada vez mais pobre. O pior é que nenhum homem parece disposto a pedi-la em casamento, não quando em pouco tempo ela se verá obrigada a se tornar sua amante. Mas Annabelle não está disposta a aceitar ser amante de ninguém. Pelo menos não por enquanto...

Quase na mesma situação de Annabelle, estão Lillian e Daisy Bowman e Evangeline Jenner – exceto pelo fato de que para elas não falta dinheiro. Sempre tomando chá de cadeira nos bailes, as quatro resolvem se unir para encontrarem um marido para cada, começando pela mais velha – nesse caso, Annabelle.

Depois de explicarem o que cada uma esperava de um marido, elas fazem uma lista de possíveis noivos e traçam um plano para se encontrarem em Hampshire, onde arrumariam um jeito de Annabelle fisgar um pretendente e subir ao altar.

Sabendo que sua situação não permitia sonhar com um príncipe encantado, nem com um casamento por amor, Annabelle só deseja que seu noivo tenha algum título para que ela possa então participar da vida da aristocracia inglesa, com a qual ela tanto sonha.

Do outro lado da história temos Simon Hunt, um jovem com muito dinheiro, mas que não é muito bem visto pela sociedade por ser filho de um açougueiro e ter ascendido socialmente por meio de seu trabalho como investidor. Simon sempre desejou ter Annabelle em sua cama, mas ela parece sentir repulsa por ele e se nega até mesmo a lhe conceder uma dança. Apesar disso, ele não está disposto a desistir – principalmente agora, que ela está a um passo da ruína e do desespero.

“O amor era um luxo que nunca havia se permitido sentir esperanças de ter, algo claramente supérfluo uma vez que a sua sobrevivência estava sempre em pauta.” (pág. 19)

O dia do início das festividades em Hampshire chega e as amigas se encontram, dando início a seu plano. O escolhido (ou a vítima, como queiram) é lorde Kendall e o plano está traçado: fazer com que ele comprometa publicamente a honra de Annabelle e se veja obrigado a pedi-la em casamento.

Mas o que ninguém sabia era que Simon Hunt era amigo do dono da propriedade, Lorde Westclif, e, portanto, também foi convidado para as festividades. Alguns encontros entre Simon e Annabelle são inevitáveis e a atração entre eles aumenta cada vez mais. Mas talvez o sentimento que vem crescendo entre ambos seja mais do que mera atração.

Aos poucos, Annabelle acaba conhecendo uma faceta cuidadosa e gentil de Simon e se afeiçoando a ele. Mas ela não vai deixar isso acontecer, não quando está a um passo de fisgar o seu lorde. Ou pelo menos não iria... Não até ser beijada por Simon Hunt e ter seu mundo virado de ponta cabeça.

Agora nossa protagonista se vê dividida entre um casamento que sempre sonhou, com um lorde, mas sem amor ou aceitar ser amante de um homem que sempre evitou, mas que parece ser capaz de despertar nela sentimentos desconhecidos. Qual dessas possibilidades é a melhor? Ou será que haveria outras possibilidades? 

O que eu mais gostei nesse livro foi a forma como a autora constrói a amizade entre as quatro garotas, dando mais ênfase ao apoio mútuo entre elas do que ao próprio romance. Outro ponto forte é a mudança de pensamento de Annabelle a respeito da sociedade em que vive e os padrões impostos por ela.

A história é narrada em terceira pessoa, as páginas são amarelas e a diagramação é simples. A capa está uma graça, seguindo bem o padrão das capas dos romances de época da Editora Arqueiro. A leitura é bem fluída e agradável.

Gostei bastante e, com certeza, recomendo a leitura, principalmente para aqueles que, assim como eu, são apaixonados por romances históricos. Favoritado <3


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: As Letras do Amor de Paula Ottoni

quarta-feira, 1 de março de 2017




                 Editora Novo Conceito
               Literatura Nacional/Ficção Juvenil 
               Número de páginas: 224


Sinopse: “Bianca acabou de largar um curso de graduação de que não gostava, seus pais vão se divorciar e seus irmãos pequenos estão cada dia mais barulhentos.A oportunidade perfeita de escapar surge quando seu namorado, Miguel, resolve ir a Roma abrir uma empresa para o pai. Bianca decide que aprender italiano, arrumar um trabalho temporário e ajudar Miguel em seu negócio será um bom começo.O que parecia um sonho, porém, torna-se uma incerteza ainda maior quando Miguel fica sempre fora de casa, os empregos de Bianca não duram mais que uma semana, e, cada dia mais próxima de Enzo – o melhor amigo de Miguel, com quem moram –, ela começa a questionar seus sentimentos.Perdida em conflitos amorosos e angustiada por não saber o que será de sua vida ao fim daqueles seis meses, Bianca passa por uma série de situações de crescimento pessoal que vão testá-la e ajudá-la a descobrir o que fazer com o futuro, que vem chegando depressa demais.”

Aos 19 anos, Bianca se encontra insatisfeita com seu curso de graduação e resolve trancá-lo até decidir o que realmente gostaria de cursar. Para piorar, seus pais estão se divorciando e o clima em casa anda bem pesado. A única coisa que ainda parece estar nos trilhos é seu namoro com Miguel, de quem recebe o convite para morar seis meses em Roma, enquanto ele abre uma filial da empresa da família na capital italiana.

Vendo nesse convite a oportunidade perfeita para fugir de seus problemas aqui no Brasil, descobrir sua vocação e, de quebra, fortalecer sua relação com Miguel, Bianca aceita o convite e eles viajam para Roma, onde dividirão um apartamento com Enzo, o melhor amigo de Miguel. 

Enzo é italiano, mas morou um certo tempo no Brasil e, portanto, conhece bem o português. Como Miguel está atarefado demais com os preparativos para a instalação da loja, Bianca conta com a ajuda de Enzo para encontrar um cursinho de italiano, achar um emprego e fazer novas amizades. Essa proximidade faz com que ambos descubram que têm muitas coisas em comum e eles acabam se tornando grandes amigos.

“Se a vida não era um desafio, e se suas primeiras escolhas fossem as que ficariam para o resto da vida, então o que seria o destino? Seria ele apenas uma pilha de erros baseados no primeiro ou uma montanha de dificuldades para que pudesse guiar a si próprio para o caminho certo?” (pág. 82)

Já na sinopse sabemos que teríamos um triângulo amoroso entre Miguel, Bianca e Enzo. Confesso que isso já me fez ficar com um pé atrás, visto que sou totalmente contra traições e infidelidades e já comecei o livro com certa antipatia pela Bianca e colocando Miguel como o ‘coitadinho’ da história. Com o desenrolar da trama, meus sentimentos se alternaram em achar Bianca uma sem vergonha descarada e querer dar um murro na cara do Miguel e dizer que ele bem merecia o par de chifres que iria levar (ou não).

Enfim, logo que eles se mudam, Miguel mal para em casa, pois está cheio de trabalho para fazer e Enzo e Bianca acabam passando muito tempo juntos. Como Enzo é inteligente, divertido e muito bonito, nossa protagonista passa a ter uma quedinha por ele e questionar seu namoro que vai de mal a pior. Nessa hora eu fiquei morrendo de raiva dela, porque, verdade seja dita, o cara estava trabalhando. Tra-ba-lhan-do. Ele não tinha tempo para ficar levando a dondoca para passear. 

Mas é aí que a história dá uma reviravolta. De namorado ausente por motivos de trabalho, Miguel passa a namorado ausente por ser um completo babaca. Como estava trabalhando bastante, ele se acha no direito de compensar isso saindo para se divertir nas noitadas italianas, sem nem o menos avisar a namorada.  É nesse momento que eu passo a torcer por Enzo e Bianca.

Se eu fosse a Bianca, já tinha dado o pé nesse Miguel e ficado com o Enzo (ou com nenhum, verdade seja dita), mas como para quem está dentro tudo é muito mais complicado, ela se vê dividida entre a vontade e a culpa e seguimos acompanhando seu dilema por vários capítulos, mesmo sabendo desde o início qual seria o desfecho da história.

O que mais gostei nessa história é a forma ricamente detalhada que a autora faz do cenário italiano, o que me deixou com ainda mais vontade de conhecer a Itália. Outro ponto positivo é a escrita fluida e o ritmo agradável de leitura, não se tornando um livro chato e maçante (apesar do enredo bem clichê).

Quanto à parte física do livro, a Editora foi muito caprichosa. As folhas são amarelas, a fonte é de um tamanho bom e a diagramação é simples, porém com alguns detalhes românticos que combinam muito com a história em si. Em cada capítulo, a autora cita uma playlist para ouvir enquanto lê – uma associação a um hábito de Bianca. 

Como um todo, eu gostei do livro, pois além da história ainda terminei com ótimas indicações de músicas para ouvir e suspirar. Recomendo (o livro e as músicas, rs)!


Gabriele Sachinski


Resenha do livro: Minha Mãe é uma Peça de Paulo Gustavo

sábado, 18 de fevereiro de 2017

                  



                     Literatura nacional/humor
                     Editora objetiva
                     Número de páginas: 152


Sinopse: 'Minha mãe é uma peça', agora em livro e com histórias inéditas de Dona Hermínia. Essas crianças ainda matam Dona Hermínia de tanta preocupação. Após berrar com os filhos no teatro, no cinema e na TV, ela agora narra as desventuras com a família em livro. Marcelina, que está “imensa de gorda”, e Juliano, que em vez de trabalhar prefere decorar as coreografias daquela “cantora negona linda, a Cebion”, não são os únicos que escutam poucas e boas. Sobra bronca também para o ex-marido, Carlos Alberto, para a nova mulher dele, “a vaca da Soraia”, e para a empregada Valdeia, “que prefere ser chamada de secretária, mas ainda não chegou lá”.Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia — ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador — fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex. 


Quem nunca ouviu falar de Dona Hermínia, a mãe mais engraçada e famosa do Brasil. A personagem criada por Paulo Gustavo conquistou a todos com seu jeito intenso, caricato e uma língua afiada que toda mãe guarda dentro de si. O seu sucesso se deve ao fato de que as mães se identificam com as peripécias de Dona Hermínia e de que os filhos enxergam as suas próprias mães na personagem.

"Minha mãe é uma peça" já deu as caras no teatro, na tv, no cinema e em livro. Atualmente, estreiou o "Minha mãe é uma peça 2" nos cinemas brasileiros e já atingiu a impressionante marca de 9 milhões de espectadores. Inclusive, eu já assisti ao segundo filme que está sensacional, assim como o primeiro que já vi umas 3 vezes rsrs.

"A pessoa que corre tá apressando a morte, tá correndo pra chegar na cova mais cedo. Eu sou boba? Vou caminhando. Caminhando a gente chega na hora certa do enterro" pág 39

O livro escrito por Paulo Gustavo traz histórias inéditas da Dona Hermínia e nos possibilita passarmos mais um tempo com essa personagem divertidíssima. O grande destaque da narrativa é a forma como ela é escrita porque o jeito de falar e de ser de Dona Hermínia está tatuado no livro, ou seja, enquanto lemos, nós ouvimos a voz dela na nossa cabeça e é exatamente com ela é nas telinhas.

Todas as personagens do primeiro filme aparecem no livro como os filhos Marcelina e Juliano, o ex marido Carlos Alberto, a empregada Valdeia, a madrasta Soraia, entre outros. O livro é dividido em 16 capítulos que falam sobre criar os filhos, preconceito, peso, sexo, trabalho, viagens, bebidas, famosos, internet, ex marido, vizinhos, festas de fim de ano e religião.

Os capítulos são curtos e bem ágeis. A narrativa está em primeira pessoa por Dona Hermínia e são bem humorados e de fácil leitura. As novas histórias são interessantes e prendem a nossa atenção. As páginas são amareladas e a diagramação tem detalhes.

Indico para quem é fã da personagem e dos filmes porque foi ótimo adentrar novamente na vida de Dona Hermínio e de seus filhos. É uma leitura muito agradável. Recomendo!


Autora parceira: Diana Scarpine

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
 Oi gente,

É com muito prazer que apresento-lhes a nova parceira do blog: Diana Scarpine. Ela é autora dos livros "Uma Chance para Recomeçar" e "Entrelace: Caminhos que se Cruzam ao Acaso". Vamos conhecê-la!




A autora




Diana Scarpine é baiana da cidade de Jequié, possui graduação em Ciências Biológicas, mestrado na área de saúde e atualmente cursa doutorado, no qual tem se dedicado ao estudo da deficiência e da Tecnologia Assistiva. Apaixonada por literatura, escreve desde os treze anos de idade, transitando entre a prosa e a poesia. Além de “Uma Chance para Recomeçar”, é autora de “Entrelace: Caminhos que se Cruzam ao Acaso” (1ª edição: 2012/ 2ª edição a ser publicada em janeiro de 2017).





As obras




Carina é uma workaholic rica e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma de suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e, desesperadamente, desejando aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe sequelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos são necessários vencer para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?



Carol é uma mulher insegura e preconceituosa, que tem um relacionamento virtual com Henri, um homem forte e independente, que enfrenta as adversidades que a vida lhe impõe. Aparentemente apaixonados, embora nunca tenham se visto pessoalmente, eles anseiam transpor o namoro virtual para o real, mas o tão sonhado primeiro encontro não acontece como planejaram e eles rompem o relacionamento. Por mais que tentem se manter afastados, os destinos de Henri e Carol foram  irremediavelmente entrelaçados e seus corações, unidos pelo amor, mas implacavelmente afastados pelo preconceito. O amor será capaz de vencer esse profundo e intenso embate contra o preconceito? Ou o preconceito será capaz de subjugar o amor presente no coração de uma mulher?




Contato




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