Resenha do livro: Nada Consta de Danilo “Japa” Nuha

quarta-feira, 12 de abril de 2017






           Editora Geração
           Literatura Brasileira/Ficção/Autobiografia
           Número de páginas: 168


Sinopse: “Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.” 

“Nada Consta” é um daqueles livros que deveriam vir com a indicação “não tente fazer isso em casa”. Contando sua própria história, Danilo alterna entre suas escassas memórias sobre sua adoção por um casal de japoneses, sua escala como trabalhador no Japão, sua volta ao Brasil e o curso de jornalismo, o retorno ao país do sol nascente como repórter e a volta definitiva (e meio decadente) à terra natal. No meio desses relatos, Danilo conta diversas enrascadas nas quais se meteu e como conseguiu sair de cada uma delas.

Confesso que acabei relacionando a adoção de Danilo com a do personagem Norbit, do filme “Norbit: uma comédia de peso”. O fato de ele ter sido abandonado e adotado por um casal de japoneses me levou a conectar as duas histórias. Mas as semelhanças pararam por aí, rs.

Aos 16 anos, Danilo viaja para o Japão para trabalhar como operário nas empresas japonesas que estavam em ascensão. Além de trabalhar como operário, atua como contrabandista de mercadorias e traficante de drogas, juntamente com um primo seu. Cansado dessa vida, ele resolve retornar ao Brasil e correr atrás do seu sonho de ser jornalista. 

Depois de formado, Danilo retorna ao Japão, mas dessa vez para trabalhar como repórter em um jornal destinado aos imigrantes brasileiros. Após algumas matérias – dentre as quais ele entrevistou Milton Nascimento –, ele acaba sendo preso e demitido do jornal. Sem emprego, começa a fazer alguns bicos, principalmente como contrabandista.

“E se eu não tivesse ido até o final e, de língua, beijado a lona? O tempo ensina: beijar a lona com grandezas é coisa para poucos. Com derrocadas tão intensas, só perdem aqueles que nelas não se inspiram.” (pág. 165)

De volta à terra natal, Danilo trabalha como vendedor de CDs e conhece muitas estrelas da música brasileira – João Donato, Roberto Carlos, Criolo, Racionais, Almir Sater, entre outros. Além das celebridades, traficantes, contrabandistas, moradores de comunidades, prostitutas e garçons formam seu grande grupo de amigos, com os quais ele vive as mais diversas experiências.

A narração alterna entre presente e passado, entre Japão e Brasil, sem qualquer relação necessária entre um capítulo e o próximo (o que é bem plausível, já que se trata de um “livro de memórias”). As páginas são brancas e a diagramação é simples. Há uma seção de fotos, quase um álbum, bem no meio do livro, que comprovam diversas histórias malucas narradas por Danilo. 

Uma coisa que chama bastante a atenção no livro é a presença de palavras japonesas, as quais eu ficava tentando pronunciar e me sentia como o Whindersson Nunes no vídeo “Sou Fluente em Japonês” – o que, por si só, já me rendia boas risadas.

Danilo Japa Nuha é o exemplo do cara que faz tudo errado, mas que acaba dando certo. Mesmo passando por perrengues, ele nunca perdeu o bom humor (algumas vezes encontrado em atividades ilícitas) e sempre batalhou para melhorar sua situação, pois, nas palavras do próprio autor, “como não viemos ao mundo pela zona sul, com rosto de galã e família de novela das oito, tentamos superar isso com estilo, bom humor e imaginação” (pág.19).


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Uma Chance para Recomeçar de Diana Scarpine

terça-feira, 28 de março de 2017




               Editora Pandorga
               Literatura Nacional/Romance
               Número de páginas: 427

Sinopse: “Carina é uma workaholic rica e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma das suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e deseja aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe sequelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos precisam ser vencidos para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?”

Ler esse livro representou um desafio para mim, pois confesso que o tema levanta certas crenças minhas que criam logo de cara barreiras para que eu goste do livro. Contudo, depois que consegui deixar isso de lado, a história começou a fluir e consegui me envolver com os personagens.

Carina é o tipo de pessoa que tenta preencher seu vazio emocional com trabalho e mais trabalho. Aos 32 anos e gerente da rede de supermercados de sua família, ela precisa constantemente provar a seu pai (e a si mesma) que é tão boa quanto o filho homem que ele tanto desejou, mas que não chegou a ter. 

O ritmo acelerado de sua vida profissional faz com que Carina não tenha tempo para se cuidar. O estresse é tanto que ela chega a ter uma paralisia facial. Ao buscar ajuda médica, Carina se vê obrigada a se afastar um pouco de seu trabalho e começa a cuidar de si mesma, ao menos uma vez na vida. Como parte de seu tratamento, o médico pede para que ela faça sessões de fisioterapia e ela escolhe fazê-las em uma clínica perto de sua casa. 

Um dia, na sala de espera da clínica, Carina conversa com uma senhora que lhe recomenda a massoterapia como uma forma de relaxar do estresse do dia a dia. Carina resolve experimentar e marca as sessões para logo após a fisioterapia. Como Aurélio é o que tem mais horários disponíveis, ela acaba marcando suas sessões com ele.

Aurélio é um homem de 37 anos, que sofreu um grave acidente há 10 anos, no qual perdeu sua esposa e filha, sua visão e toda a sua vontade de viver. Depois de superar alguns traumas, Aurélio volta a trabalhar na clínica, porém percebe que muitos pacientes se recusam a ser atendidos por ele – com 50% do corpo queimado, e atormentado pela culpa, ele acredita ser um monstro e não recrimina as pessoas por desejarem se manter afastadas.

Carina, sem qualquer autoestima, sente vergonha por sua paralisia e permanece a sessão toda de massoterapia de cabeça baixa, não percebendo que Aurélio é cego. Devido a isso, ela dá algumas bolas foras e fica se sentindo culpada quando descobre suas gafes.

Determinada a se desculpar, ela vai à próxima massagem e tenta se aproximar de Aurélio, a fim de se explicar. Ele não baixa a guarda, pois não acredita que ela queira realmente ser sua amiga e deve estar achando uma forma de humilhá-lo ainda mais. Mas Carina não faria isso. Extremamente gentil e educada, ela vai aos poucos conseguindo se aproximar de Aurélio. Essa aproximação, porém, fará com que ela se sinta cada vez mais atraída por ele.

Aurélio acaba cedendo e se permitindo encontrar em Carina uma amiga. Porém, os sentimentos que ela diz sentir por ele fazem com que ele se afaste, pois ainda ama sua falecida esposa e jamais haveria espaço para outra mulher em sua vida. Nesse momento, Aurélio é bem ríspido com Carina na tentativa de afastá-la e eu fiquei dividida entre apoiar o seu pensamento e repreender suas atitudes.

O tempo vai passando (e com ele mais problemas surgem) e os dois acabam se encontrando e reaproximando novamente, pois ambos careciam de um amigo. Aos poucos, Aurélio vai assumindo para si que ama Carina, mas acredita que nunca poderá declarar seu amor, pois ele se recrimina por sua aparência e acha ser indigno de ser amado novamente.


“Há várias formas de enxergar a beleza, e nem sempre o que é belo para uma pessoa é belo para outra. Além disso, acredito que beleza e feiura são duas faces da mesma moeda: há sempre beleza na feiura, e feiura na beleza.” (pág. 88)

Eles ficam um boooooom tempo nesse chove-não-molha, o que chega quase a ser cansativo, mas acaba dando um ar de realidade para a história (afinal, quem nunca ficou indeciso em relação aos sentimentos de outra pessoa?). Para poderem, enfim, ficar juntos, Carina e Aurélio precisarão superar imensos desafios e preconceitos, principalmente os que eles têm contra si mesmos e que ameaçarão acabar com essa história de amor. 

Em um primeiro momento, pode parecer que a história é bem fraquinha, bem água com açúcar. Contudo, a autora trabalha temas muito importantes na obra: traumas, desilusões, dificuldades, (auto) preconceitos, acessibilidade, autoestima, machismo, relacionamento familiar, perdão... Todos esses temas permeiam o enredo e são tratados com tamanha delicadeza e veracidade que parece que a autora está descrevendo situações do nosso dia a dia.

Acredito eu que o que mais faz com que nos envolvamos com os personagens, a ponto de nos fazer rir, chorar, sofrer e torcer por eles, é o fato de que Carina e Aurélio são como eu e você, pessoas normais, cheias de defeitos e inseguranças e que mal sabem o rumo que dar à própria vida.  Eles não são o casal de mocinhos tradicionais dos romances, capazes de encontrar as soluções perfeitas para seus problemas. Pelo contrário, eles agem de cabeça quente e depois precisam lidar com as consequências (nem sempre agradáveis) de suas escolhas – é, eu entendo vocês rsrsrs.

A história é narrada em primeira pessoa, sempre alternando o foco narrativo entre Carina e Aurélio, o que nos permite uma visão mais apurada de todos os dilemas pelos quais o casal passa. As folhas são amarelas, os capítulos curtos e rápidos. A diagramação é em delicada, com flores no início de cada capítulo (<3). A capa é bem fofa, com os passarinhos se libertando da gaiola – o que casa muito bem com a história.

Esse é um daqueles livros que só resta dizer: vem ler e se emocionar você também! :)



Gabriele Sachinski



Resenha do livro: Segredos de Uma Noite de Verão de Lisa Kleypas

sábado, 11 de março de 2017




               Título original: Secrets of a Summer Night
            Editora Arqueiro
            Literatura Estrangeira/Romance Histórico
            Número de páginas: 288

Sinopse: “Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon... e descobre que o amor é um jogo perigoso. ”

Esse é o primeiro volume da série “As Quatro Estações do Amor”, de Lisa Kleypas. Nesse primeiro livro, ficamos conhecendo a história de Annabelle Peyton que está em sua quarta e última temporada na sociedade londrina. Talvez desesperada seja pouco para descrever a sua situação vendo sua família ficar cada vez mais pobre. O pior é que nenhum homem parece disposto a pedi-la em casamento, não quando em pouco tempo ela se verá obrigada a se tornar sua amante. Mas Annabelle não está disposta a aceitar ser amante de ninguém. Pelo menos não por enquanto...

Quase na mesma situação de Annabelle, estão Lillian e Daisy Bowman e Evangeline Jenner – exceto pelo fato de que para elas não falta dinheiro. Sempre tomando chá de cadeira nos bailes, as quatro resolvem se unir para encontrarem um marido para cada, começando pela mais velha – nesse caso, Annabelle.

Depois de explicarem o que cada uma esperava de um marido, elas fazem uma lista de possíveis noivos e traçam um plano para se encontrarem em Hampshire, onde arrumariam um jeito de Annabelle fisgar um pretendente e subir ao altar.

Sabendo que sua situação não permitia sonhar com um príncipe encantado, nem com um casamento por amor, Annabelle só deseja que seu noivo tenha algum título para que ela possa então participar da vida da aristocracia inglesa, com a qual ela tanto sonha.

Do outro lado da história temos Simon Hunt, um jovem com muito dinheiro, mas que não é muito bem visto pela sociedade por ser filho de um açougueiro e ter ascendido socialmente por meio de seu trabalho como investidor. Simon sempre desejou ter Annabelle em sua cama, mas ela parece sentir repulsa por ele e se nega até mesmo a lhe conceder uma dança. Apesar disso, ele não está disposto a desistir – principalmente agora, que ela está a um passo da ruína e do desespero.

“O amor era um luxo que nunca havia se permitido sentir esperanças de ter, algo claramente supérfluo uma vez que a sua sobrevivência estava sempre em pauta.” (pág. 19)

O dia do início das festividades em Hampshire chega e as amigas se encontram, dando início a seu plano. O escolhido (ou a vítima, como queiram) é lorde Kendall e o plano está traçado: fazer com que ele comprometa publicamente a honra de Annabelle e se veja obrigado a pedi-la em casamento.

Mas o que ninguém sabia era que Simon Hunt era amigo do dono da propriedade, Lorde Westclif, e, portanto, também foi convidado para as festividades. Alguns encontros entre Simon e Annabelle são inevitáveis e a atração entre eles aumenta cada vez mais. Mas talvez o sentimento que vem crescendo entre ambos seja mais do que mera atração.

Aos poucos, Annabelle acaba conhecendo uma faceta cuidadosa e gentil de Simon e se afeiçoando a ele. Mas ela não vai deixar isso acontecer, não quando está a um passo de fisgar o seu lorde. Ou pelo menos não iria... Não até ser beijada por Simon Hunt e ter seu mundo virado de ponta cabeça.

Agora nossa protagonista se vê dividida entre um casamento que sempre sonhou, com um lorde, mas sem amor ou aceitar ser amante de um homem que sempre evitou, mas que parece ser capaz de despertar nela sentimentos desconhecidos. Qual dessas possibilidades é a melhor? Ou será que haveria outras possibilidades? 

O que eu mais gostei nesse livro foi a forma como a autora constrói a amizade entre as quatro garotas, dando mais ênfase ao apoio mútuo entre elas do que ao próprio romance. Outro ponto forte é a mudança de pensamento de Annabelle a respeito da sociedade em que vive e os padrões impostos por ela.

A história é narrada em terceira pessoa, as páginas são amarelas e a diagramação é simples. A capa está uma graça, seguindo bem o padrão das capas dos romances de época da Editora Arqueiro. A leitura é bem fluída e agradável.

Gostei bastante e, com certeza, recomendo a leitura, principalmente para aqueles que, assim como eu, são apaixonados por romances históricos. Favoritado <3


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: As Letras do Amor de Paula Ottoni

quarta-feira, 1 de março de 2017




                 Editora Novo Conceito
               Literatura Nacional/Ficção Juvenil 
               Número de páginas: 224


Sinopse: “Bianca acabou de largar um curso de graduação de que não gostava, seus pais vão se divorciar e seus irmãos pequenos estão cada dia mais barulhentos.A oportunidade perfeita de escapar surge quando seu namorado, Miguel, resolve ir a Roma abrir uma empresa para o pai. Bianca decide que aprender italiano, arrumar um trabalho temporário e ajudar Miguel em seu negócio será um bom começo.O que parecia um sonho, porém, torna-se uma incerteza ainda maior quando Miguel fica sempre fora de casa, os empregos de Bianca não duram mais que uma semana, e, cada dia mais próxima de Enzo – o melhor amigo de Miguel, com quem moram –, ela começa a questionar seus sentimentos.Perdida em conflitos amorosos e angustiada por não saber o que será de sua vida ao fim daqueles seis meses, Bianca passa por uma série de situações de crescimento pessoal que vão testá-la e ajudá-la a descobrir o que fazer com o futuro, que vem chegando depressa demais.”

Aos 19 anos, Bianca se encontra insatisfeita com seu curso de graduação e resolve trancá-lo até decidir o que realmente gostaria de cursar. Para piorar, seus pais estão se divorciando e o clima em casa anda bem pesado. A única coisa que ainda parece estar nos trilhos é seu namoro com Miguel, de quem recebe o convite para morar seis meses em Roma, enquanto ele abre uma filial da empresa da família na capital italiana.

Vendo nesse convite a oportunidade perfeita para fugir de seus problemas aqui no Brasil, descobrir sua vocação e, de quebra, fortalecer sua relação com Miguel, Bianca aceita o convite e eles viajam para Roma, onde dividirão um apartamento com Enzo, o melhor amigo de Miguel. 

Enzo é italiano, mas morou um certo tempo no Brasil e, portanto, conhece bem o português. Como Miguel está atarefado demais com os preparativos para a instalação da loja, Bianca conta com a ajuda de Enzo para encontrar um cursinho de italiano, achar um emprego e fazer novas amizades. Essa proximidade faz com que ambos descubram que têm muitas coisas em comum e eles acabam se tornando grandes amigos.

“Se a vida não era um desafio, e se suas primeiras escolhas fossem as que ficariam para o resto da vida, então o que seria o destino? Seria ele apenas uma pilha de erros baseados no primeiro ou uma montanha de dificuldades para que pudesse guiar a si próprio para o caminho certo?” (pág. 82)

Já na sinopse sabemos que teríamos um triângulo amoroso entre Miguel, Bianca e Enzo. Confesso que isso já me fez ficar com um pé atrás, visto que sou totalmente contra traições e infidelidades e já comecei o livro com certa antipatia pela Bianca e colocando Miguel como o ‘coitadinho’ da história. Com o desenrolar da trama, meus sentimentos se alternaram em achar Bianca uma sem vergonha descarada e querer dar um murro na cara do Miguel e dizer que ele bem merecia o par de chifres que iria levar (ou não).

Enfim, logo que eles se mudam, Miguel mal para em casa, pois está cheio de trabalho para fazer e Enzo e Bianca acabam passando muito tempo juntos. Como Enzo é inteligente, divertido e muito bonito, nossa protagonista passa a ter uma quedinha por ele e questionar seu namoro que vai de mal a pior. Nessa hora eu fiquei morrendo de raiva dela, porque, verdade seja dita, o cara estava trabalhando. Tra-ba-lhan-do. Ele não tinha tempo para ficar levando a dondoca para passear. 

Mas é aí que a história dá uma reviravolta. De namorado ausente por motivos de trabalho, Miguel passa a namorado ausente por ser um completo babaca. Como estava trabalhando bastante, ele se acha no direito de compensar isso saindo para se divertir nas noitadas italianas, sem nem o menos avisar a namorada.  É nesse momento que eu passo a torcer por Enzo e Bianca.

Se eu fosse a Bianca, já tinha dado o pé nesse Miguel e ficado com o Enzo (ou com nenhum, verdade seja dita), mas como para quem está dentro tudo é muito mais complicado, ela se vê dividida entre a vontade e a culpa e seguimos acompanhando seu dilema por vários capítulos, mesmo sabendo desde o início qual seria o desfecho da história.

O que mais gostei nessa história é a forma ricamente detalhada que a autora faz do cenário italiano, o que me deixou com ainda mais vontade de conhecer a Itália. Outro ponto positivo é a escrita fluida e o ritmo agradável de leitura, não se tornando um livro chato e maçante (apesar do enredo bem clichê).

Quanto à parte física do livro, a Editora foi muito caprichosa. As folhas são amarelas, a fonte é de um tamanho bom e a diagramação é simples, porém com alguns detalhes românticos que combinam muito com a história em si. Em cada capítulo, a autora cita uma playlist para ouvir enquanto lê – uma associação a um hábito de Bianca. 

Como um todo, eu gostei do livro, pois além da história ainda terminei com ótimas indicações de músicas para ouvir e suspirar. Recomendo (o livro e as músicas, rs)!


Gabriele Sachinski


Resenha do livro: Minha Mãe é uma Peça de Paulo Gustavo

sábado, 18 de fevereiro de 2017

                  



                     Literatura nacional/humor
                     Editora objetiva
                     Número de páginas: 152


Sinopse: 'Minha mãe é uma peça', agora em livro e com histórias inéditas de Dona Hermínia. Essas crianças ainda matam Dona Hermínia de tanta preocupação. Após berrar com os filhos no teatro, no cinema e na TV, ela agora narra as desventuras com a família em livro. Marcelina, que está “imensa de gorda”, e Juliano, que em vez de trabalhar prefere decorar as coreografias daquela “cantora negona linda, a Cebion”, não são os únicos que escutam poucas e boas. Sobra bronca também para o ex-marido, Carlos Alberto, para a nova mulher dele, “a vaca da Soraia”, e para a empregada Valdeia, “que prefere ser chamada de secretária, mas ainda não chegou lá”.Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia — ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador — fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex. 


Quem nunca ouviu falar de Dona Hermínia, a mãe mais engraçada e famosa do Brasil. A personagem criada por Paulo Gustavo conquistou a todos com seu jeito intenso, caricato e uma língua afiada que toda mãe guarda dentro de si. O seu sucesso se deve ao fato de que as mães se identificam com as peripécias de Dona Hermínia e de que os filhos enxergam as suas próprias mães na personagem.

"Minha mãe é uma peça" já deu as caras no teatro, na tv, no cinema e em livro. Atualmente, estreiou o "Minha mãe é uma peça 2" nos cinemas brasileiros e já atingiu a impressionante marca de 9 milhões de espectadores. Inclusive, eu já assisti ao segundo filme que está sensacional, assim como o primeiro que já vi umas 3 vezes rsrs.

"A pessoa que corre tá apressando a morte, tá correndo pra chegar na cova mais cedo. Eu sou boba? Vou caminhando. Caminhando a gente chega na hora certa do enterro" pág 39

O livro escrito por Paulo Gustavo traz histórias inéditas da Dona Hermínia e nos possibilita passarmos mais um tempo com essa personagem divertidíssima. O grande destaque da narrativa é a forma como ela é escrita porque o jeito de falar e de ser de Dona Hermínia está tatuado no livro, ou seja, enquanto lemos, nós ouvimos a voz dela na nossa cabeça e é exatamente com ela é nas telinhas.

Todas as personagens do primeiro filme aparecem no livro como os filhos Marcelina e Juliano, o ex marido Carlos Alberto, a empregada Valdeia, a madrasta Soraia, entre outros. O livro é dividido em 16 capítulos que falam sobre criar os filhos, preconceito, peso, sexo, trabalho, viagens, bebidas, famosos, internet, ex marido, vizinhos, festas de fim de ano e religião.

Os capítulos são curtos e bem ágeis. A narrativa está em primeira pessoa por Dona Hermínia e são bem humorados e de fácil leitura. As novas histórias são interessantes e prendem a nossa atenção. As páginas são amareladas e a diagramação tem detalhes.

Indico para quem é fã da personagem e dos filmes porque foi ótimo adentrar novamente na vida de Dona Hermínio e de seus filhos. É uma leitura muito agradável. Recomendo!


Autora parceira: Diana Scarpine

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
 Oi gente,

É com muito prazer que apresento-lhes a nova parceira do blog: Diana Scarpine. Ela é autora dos livros "Uma Chance para Recomeçar" e "Entrelace: Caminhos que se Cruzam ao Acaso". Vamos conhecê-la!




A autora




Diana Scarpine é baiana da cidade de Jequié, possui graduação em Ciências Biológicas, mestrado na área de saúde e atualmente cursa doutorado, no qual tem se dedicado ao estudo da deficiência e da Tecnologia Assistiva. Apaixonada por literatura, escreve desde os treze anos de idade, transitando entre a prosa e a poesia. Além de “Uma Chance para Recomeçar”, é autora de “Entrelace: Caminhos que se Cruzam ao Acaso” (1ª edição: 2012/ 2ª edição a ser publicada em janeiro de 2017).





As obras




Carina é uma workaholic rica e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma de suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e, desesperadamente, desejando aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe sequelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos são necessários vencer para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?



Carol é uma mulher insegura e preconceituosa, que tem um relacionamento virtual com Henri, um homem forte e independente, que enfrenta as adversidades que a vida lhe impõe. Aparentemente apaixonados, embora nunca tenham se visto pessoalmente, eles anseiam transpor o namoro virtual para o real, mas o tão sonhado primeiro encontro não acontece como planejaram e eles rompem o relacionamento. Por mais que tentem se manter afastados, os destinos de Henri e Carol foram  irremediavelmente entrelaçados e seus corações, unidos pelo amor, mas implacavelmente afastados pelo preconceito. O amor será capaz de vencer esse profundo e intenso embate contra o preconceito? Ou o preconceito será capaz de subjugar o amor presente no coração de uma mulher?




Contato




Resenha do livro: E Viveram Felizes para Sempre de Julia Quinn

sábado, 28 de janeiro de 2017





                  Título original: The Bridgertons: Happily Ever After
             Editora Arqueiro
             Literatura Estrangeira/Romance de Época
             Número de páginas: 255


Sinopse: “Alguns finais são apenas o começo... Era uma vez uma família criada por uma autora de romances históricos... Mas não era uma família comum. Oito irmãos e irmãs, seus maridos e esposas, filhos e filhas, sobrinhas e sobrinhos, além de uma irresistível matriarca. Esses são os Bridgertons: mais que uma família, uma força da natureza. Ao longo de oito romances que foram sucesso de vendas, os leitores riram, choraram e se apaixonaram. Só que eles queriam mais. Então começaram a questionar a autora: O que aconteceu depois? Simon leu as cartas deixadas pelo pai? Francesca e Michael tiveram filhos? O que foi feito dos terríveis enteados de Eloise? Hyacinth finalmente encontrou os diamantes? A última página de um livro realmente tem que ser o fim da história? Julia Quinn acha que não e, em E” Viveram Felizes para Sempre”, oferece oito epílogos extras, todos sensuais, engraçados e reconfortantes, e responde aos anseios dos leitores trazendo, ainda, um drama inesperado, um final feliz para um personagem muito merecedor e um delicioso conto no qual ficamos conhecendo melhor ninguém menos que a sábia e espirituosa matriarca Violet Bridgerton.”

Atenção! Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores


Todos os leitores que, assim como eu, são apaixonados por romances de época deveriam ler (ou já leram) Os Bridgertons. Uma família cativante formada por oito irmãos e irmãs que nos renderam boas risadas e suspiros ao longo dos oito livros anteriores.

Desde o início, sabíamos que a série Os Bridgertons seria composta por oito volumes e em cada um deles conheceríamos a história de um dos irmãos, sem que fosse seguida uma ordem cronológica entre eles. Cada volume era independente e, portanto, não precisávamos seguir a ordem de publicação – apesar disso ser uma ótima ideia rs. O último capítulo de cada um dos livros da série era destinado ao epílogo, o qual dava uma amostrinha de como havia sido o “felizes para sempre” do casal em questão. Algumas vezes, isso significava um salto de 10 anos no futuro, outras, de apenas alguns meses.

As páginas finais de cada uma dessas histórias sempre me arrancaram suspiros e me deixavam com um gostinho de quero mais. E pelo jeito, não foi só em mim que essa família apaixonante despertou tais sentimentos. Muitos fãs escreveram para a amada Julia Quinn querendo saber o que aconteceu com os irmãos depois que a última página foi virada.

Depois de tantos apelos, a escritora resolveu nos presentear com este último volume, nos mostrando mais um breve vislumbre da vida dessa família maravilhosa. Reunindo oito segundos epílogos e um conto sobre a matriarca mais amada dos romances de época, “E Viveram Felizes para Sempre” é um desfecho perfeito para uma série perfeita.

 No primeiro conto, adentramos novamente na vida de Daphne e Simon, do livro “O Duque e Eu”. Agora, com 21 anos de casamento, 4 filhos crescidos e um amor de dar inveja, nosso casal terá uma bela surpresa que deixará suas vidas ainda mais completas. Além disso, teremos a chance de saber o conteúdo das cartas deixadas pelo pai de Simon.

No conto seguinte, o qual se liga ao volume “O Visconde que me Amava”, além de um encontro sensual e divertido entre Kate e Anthony, temos uma reprise do jogo de Pall Mall, com todos os jogadores oficiais da primeira partida, de 15 anos atrás. No terceiro capítulo, vinculado a “Um Perfeito Cavalheiro”, ficamos sabendo o destino de Posy, a meia-irmã boazinha de Sophie (que fora ‘adotada’ por Violet) e conhecemos uma faceta da personalidade de Sophie que nem mesmo Benedict conhecia: a de casamenteira.

O próximo conto traz mais um pouquinho de Penelope e Colin, de “Os Segredos de Colin Bridgerton”. Nesse epílogo, ficamos sabendo a reação de Eloise ao descobrir que sua melhor amiga era Lady Whistledown. Além disso, podemos conhecer detalhes sobre o casamento de Eloise e Philip que nos foram negados em “Para Sir Philip, com amor”.

“Por toda a sua vida, Violet Bridgerton sempre fora a mais sensível e maravilhosa das mães. Sempre parecia saber do que seus filhos precisavam, exatamente quando precisavam – fosse uma palavra gentil, uma leve cutucada ou até mesmo uma tremenda bronca. Mas ali, naquele momento, parecia perdida.” (pág. 145)

O quinto conto é justamente sobre esse volume e reencontramos a enteada de Eloise, Amanda Crane – agora não mais a menina levada, mas sim uma linda e responsável mulher – descobrindo a paixão. Esse conto é o único escrito em primeira pessoa e traz um diálogo emocionante entre Philip e Amanda.
O próximo casal é Francesca e Michael, de “O Conde Enfeitiçado”. O que é mais marcante nesse segundo epílogo é a relação entre Francesca e Violet e a forma como o casal encara a dificuldade em ter filhos.

Na minha visão, o sétimo conto é o mais divertido. A profecia de Violet feita à filha em “Um Beijo Inesquecível” se mostra verdadeira e agora Hyacinth ‘sofre’ ao ter uma filha idêntica a ela. Isabella é simplesmente apaixonante e, mesmo adulta, deixa seus pais de cabelos em pé. Nesse conto também saberemos que fim levou os diamantes da avó de Gareth.

O último segundo epílogo é de longe o mais dramático – assim como o livro ao qual se vincula, “À Caminho do Altar”. Realmente teve momentos em que achei que o final de Lucy e Gregory não seria tão tranquilo assim (se bem que com nove filhos vai ser difícil ter sossego rsrs).

E por fim, podemos conhecer o “Florescer de Violet”. Nesse último conto, Julia nos conta como Violet conhece Edmund, ainda crianças. Depois, fala sobre o amor verdadeiro entre os dois, o nascimento da família Bridgerton, a forma como Violet enfrenta a perda de seu amor e como foi para ela criar os filhos praticamente sozinha. Além disso, temas como a convivência com a enorme família e um possível novo amor também são abordados.

Eu adorei todos os contos, mas esse foi de longe o melhor e, na minha humilde opinião, a jornada de amor, alegrias, tristezas, luto e esperança de Violet merecia um volume inteiro. A matriarca adorável dessa imensa família foi aos poucos ganhando espaço nos corações dos leitores da série e todos nós queríamos saber mais sobre a história de amor que deu origem à família mais amada dos romances de época.

Alguns fãs foram além e pediram para que a Julia escrevesse um final feliz para Violet, entendendo que só é possível ter um final feliz se ela encontrasse um novo amor. Contudo, a autora nos permite ver que é possível sim ser feliz sem ser/estar casado. A felicidade está nas pequenas coisas: no sorriso de um filho, no choro de um novo neto que acaba de vir ao mundo, em um abraço silencioso e na lembrança carinhosa daquele ente amado que já partiu, mas que sempre estará vivo em nossos corações.

E quando eu pensar nessa personagem maravilhosa, vou sempre me lembrar das coisas que a fizeram genuinamente feliz: 8 filhos, 33 netos, 5 bisnetos e um amor verdadeiro que jamais seria esquecido.

O título do livro é mais que perfeito e a capa está linda, assim como a capa dos demais volumes da série. As páginas são amareladas e a diagramação é simples. Antes de cada conto, temos um recado da Julia Quinn nos contando um pouco sobre o que esperar daquela história. Eu achei isso muito bom porque também nos ajuda a lembrar de certos detalhes lidos nos volumes anteriores.

Se você também ama essa série, com certeza amará esse livro, assim como eu. E, se por acaso, você ainda não conhece essa família inacreditável, está esperando o quê? Vem se apaixonar também!
Mais que favoritado! <3


Gabriele Sachinski

Minha Caixinha do Correio #57

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Oi gente,

Essa é mais uma caixinha do correio. Vamos lá!




Cortesias



Recebi da editora Arqueiro, o livo "E viveram felizes para sempre" de Julia Quinn junto com um potinho personalizado com mini suspiros. Amei <3. Obrigada Arqueiro!






Recebi da editora Arqueiro, o livo "Depois daquela montanha" de Charles Martin. Obrigada Arqueiro!





Recebi da editora Arqueiro, o livo "O primeiro dia do resto da nossa vida" de Kate Eberlen. Obrigada Arqueiro!





Recebi da editora Arqueiro, o livo "Escândalos de cetim" de Loretta Chase. Obrigada Arqueiro!






Sorteio


Recebi da editora Darkside, o livo "Ultra carnem" de Cesar Bravo que ganhei no sorteio no instagram deles.





Presentes



Ganhei de presente do meu primo Guilherme, o livro "Sobre a escrita" de Stephen King. Obrigada Gui <3.




Recebi da editora Arqueiro, o calendário 2017 com cartão de natal e marcadores de páginas. Amei <3.




Beijos


Resenha do livro: Ligeiramente Escandalosos de Mary Balogh

sábado, 14 de janeiro de 2017




                             Título original: Slightly Scandalous
                      Editora Arqueiro
                      Literatura Estrangeira/Romance de Época 
                      Número de páginas: 287

Sinopse: “Freyja Bedwyn é uma mulher diferente das outras damas da alta sociedade: impetuosa e decidida, ela preza a independência e a liberdade acima de qualquer coisa – até mesmo do amor. Até que o destino lhe apresenta Joshua Moore, o marquês de Hallmare, um homem cheio de charme e mistério, dono de uma beleza estonteante e de uma reputação terrível. Quando ambos se encontram a caminho da pacata cidade de Bath, a química entre os dois é imediata. Entre encontros e desencontros, conflitos e provocações, Joshua faz uma proposta inusitada: pede que Freyja finja ser sua noiva, para evitar que uma artimanha de sua tia o leve a se casar com a própria prima. Para uma dupla que acha graça das convenções sociais, esta parece ser a oportunidade perfeita para se divertir. Mas a brincadeira acaba trazendo consequências inesperadas. Aos poucos, suas máscaras vão caindo e ambos se revelam pessoas bem diferentes do que aparentam. 

“Ligeiramente Escandalosos” é o terceiro volume da série “Os Bedwyns” e, até o momento, achei o melhor dos três. Sempre achei Freyja Bedwyn uma personagem fantástica e irreverente e estava ansiosa para conhecer um pouco mais sobre ela.

Freyja Bedwyn nunca foi considerada bonita. Com cabelos loiros, sobrancelhas escuras – sem falar do nariz proeminente dos Bedwyns – e um temperamento um tanto difícil, ela chegou aos 25 anos sem previsão (nem pretensão) de casar-se tão cedo. Não que ela nunca tenha recebido propostas matrimoniais – afinal, vários cavalheiros adorariam se casar com a irmã de um duque – mas sim porque ela ainda não fora capaz de superar sua paixão por Kit Butler, o Visconde de Ravensberg.

E é justamente esse sentimento mal resolvido que faz com que Freyja aceite o convite de uma amiga para ir a Bath, onde conhece Joshua Moore, o Marquês de Hallmare, que, ao contrário de nossa protagonista, é simplesmente lindo. Loiro, alto e musculoso, Josh não leva nada a sério, nem mesmo seu título recém herdado.

Logo no primeiro encontro, é possível perceber o quanto os dois são semelhantes: nenhum deles se importa muito com as convenções sociais e ambos não têm papas na língua, o que renderá diálogos simplesmente deliciosos. Com direito a flertes, ironias, piscadelas e socos, os outros encontros entre o casal são divertidíssimos (e apaixonantes).

Para fugir de um compromisso forçado com sua prima, Josh propõe em tom de brincadeira um noivado de mentira para Free, que acaba aceitando a farsa por pura diversão (e um pouquinho por vingança também). Mas o que começa com uma brincadeira, pode se tornar muito sério, pois eles se verão obrigados a conviver e acabarão por descobrir que por baixo das fachadas de solteirona irreverente e de nobre despreocupado existem um ser humano capaz de amar e de sofrer.

“Fora ótimo estar apaixonada quatro anos antes, quando se imaginara caminhando em direção a um final feliz. Como era jovem e ingênua naquela época! Mas naquela altura da vida, a paixão sugeria apenas perda de controle e medo de se ver obrigada a abrir mão da independência que conquistara a duras penas.” (pág. 162)

Com a convivência, Freyja e Joshua descobrem que as pessoas são muito mais complexas do que as aparências permitem perceber e que o amor nasce dos pequenos gestos. Contudo, como ambos já sofreram por amor e criaram barreiras em seus corações contra esse sentimento, eles tentarão a todo custo não se apaixonarem novamente. Mesmo o final sendo previsível, é impossível não torcer pelo casal e se emocionar com o sentimento verdadeiro que surge entre eles.

Há vários pontos que gostei nessa obra, mas me contentarei em compartilhar dois com vocês. O primeiro é a forma maravilhosamente sutil com que a autora aborda a questão do preconceito, tanto o social como o praticado contra as pessoas deficientes: uma das primas de Josh, Prudence Moore, apresenta certo retardo mental e isso faz com que sua mãe a esconda de todos e deseje que ela seja interada em um hospício. Como seu guardião legal, Josh jamais permitiria isso. Só isso já seria louvável da parte dele, mas ele vai além. Josh não encara Prue como uma incapaz e dá a ela o direito de decidir o rumo de sua própria vida. Não posso me estender mais nisso, mas garanto que o desfecho da história de Prue é lindo e emocionante. 

O segundo ponto é que parece que Mary Balogh ouviu nossos anseios e nos presenteia com uma grande participação da família Bedwyn nesse livro. Nos dois primeiros volumes, os irmãos Bedwyn apareciam muito pouco e quase não interagiam entre si. Dessa vez, eles passam grande parte da história juntos e isso fez com que eu me apaixonasse de vez por essa família pouco convencional e encantadora – em especial por Alleyne ;).

A história é narrada em terceira pessoa, em um ritmo leve e divertido. As páginas são amareladas e a diagramação é simples, seguindo o padrão dos volumes anteriores. A capa combina muito com a história e o tom de verde usado é lindo (arrasaram de novo, Arqueiro!). 

Apesar de ser, em essência, um enredo clichê, a forma engraçada e irreverente com que a história e os diálogos foram construídos fez com que as cinco estrelas concedidas fossem mais do que merecidas. Favoritado!


Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Ligeiramente Maliciosos de Mary Balogh

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017




                Título original: Slightly Wicked
               Editora Arqueiro
               Literatura Estrangeira/Romance de Época 
               Número de páginas: 288


Sinopse: “Após sofrer um acidente com a diligência em que viajava, Judith Law fica presa à beira da estrada no que parece ser o pior dia de sua vida. No entanto, sua sorte muda quando é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro de sorriso zombeteiro que se prontifica a levá-la até a estalagem mais próxima. Filha de um rigoroso pastor, Judith vê no convite do Sr. Bedard a chance de experimentar uma aventura e se apresenta como Claire Campbell, uma atriz independente e confiante, a caminho de York para interpretar um novo papel. A atração entre o casal é instantânea e, num jogo de sedução e mentiras, a jovem dama se entrega a uma tórrida e inesquecível noite de amor. Judith só não desconfia de que não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf Bedard é ninguém menos do que lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, que partia para Grandmaison Park a fim de cortejar sua futura noiva: a Srta. Julianne Effingham, prima de Judith. Quando os dois se reencontram e as máscaras caem, eles precisam tomar uma decisão: seguir com seus papéis de acordo com o que todos consideram socialmente aceitável ou se entregar a uma paixão avassaladora?  

“Ligeiramente Maliciosos” é o segundo volume da série “Os Bedwyns” e, na minha opinião, melhor do que o primeiro livro. Nesse volume, conhecemos a história de Judith Law e Rannulf Bedwyn. 

Judith Law é uma jovem de 22 anos, filha de um reverendo de uma cidadezinha pequena, que se vê obrigada a oferecer-se para ir morar na casa de sua tia rica a fim de ser uma espécie de criada de luxo, já que seu irmão, Bramwell Law, gastou todo o dinheiro da família tentando manter uma vida de luxo, muito além de suas possibilidades.

Em uma curva do caminho, a diligência em que Judith estava acaba tombando, devido à chuva e às condições da estrada enlameada. Nesse momento, aparece nosso herói, Lorde Rannulf Bedwyn, que se oferece para levar Judith até a cidade mais próxima e mandar ajuda para os passageiros que ficaram. Pensando em seu futuro como provável solteirona, ela aceita o convite de Ralf.

Sabendo que seu comportamento não é adequado e que seria repreendida por seu pai, ela decide se apresentar como Claire Campbell, uma atriz confiante e independente. Mas ela não é a única a esconder sua verdadeira identidade, pois Rannulf se apresenta como Ralf Bedard. Desde o início, ambos se sentem atraídos e por duas noites e um dia, eles se entregam aos seus desejos.

Mas Judith sabe que não conseguirá manter a farsa por muito tempo e acaba fugindo de seu sonho encantado na primeira diligência que passou pela estalagem em que estavam hospedados. Dessa vez sem incidentes, ela chega à casa dos Effinghams, onde é reprimida por sua demora. Além disso, sua tia desmancha as pregas dos vestidos de Judith a fim de esconder as formas avantajadas da moça e também a obriga a usar uma touca que cobriria os belos cabelos ruivos de Judith – tudo isso para que ela não apagasse o brilho de sua prima, a (sem sal) Srta. Julianne Effingham. 

O tempo todo, Judith relembra os momentos em que passou junto com Ralf, mantendo vivas as lembranças daqueles vívidos momentos. Mas seu sonho roubado, como ela mesma chamava sua aventura, estava prestes a se misturar com sua realidade, pois Lorde Rannulf Bedwyn estava se dirigindo até a propriedade dos Effinghams para cortejar Julianne, a pedido de sua avó, Lady Beamish (que estava muito doente e de quem Ralf é herdeiro). 

“Essa foi a grande surpresa desses dois meses: o amor não é físico, mental ou emocional. É maior do que qualquer uma dessas coisas. É a verdadeira essência da própria vida, não concorda? Esse grande mistério que não se pode expressar, que passamos a compreender melhor através da descoberta do ser amado.'' pág. 280

Logo que os dois se encontram, as máscaras caem e os sentimentos voltam. Apesar do que sente, Ralf sabe que o que se espera dele é que se case com Julianne, pois ela é de classe alta e a união entre as duas famílias poderia ser lucrativa para todos. Mas a moça parece não ter nada na cabeça a não ser se engrandecer de si mesma e sua beleza. Já Judith é tudo o que ele poderia desejar, só que pobre...

Além dessas questões, nossos heróis ainda precisarão se livrar de armadilhas e intrigas causadas pelos Effinghams e enfrentar seus próprios princípios e suas famílias antes de se entregarem a um “felizes para sempre”.

Uma coisa que mais gostei nesse livro foi a forma como a protagonista constrói sua autoestima. Desde criança, Judith foi educada para acreditar que era feia, pois tinha cabelos cor de cenoura, sardas no nariz e uma covinha na bochecha. Seu pai sempre foi muito rígido e culpava a filha pelos olhares maliciosos que ela recebia dos rapazes. Tudo isso faz com que ela praticamente não tenha autoestima e é muito bom ver a maneira como os outros personagens – principalmente a avó de Judith, Ralf e Lady Beamish – a ajudam a se descobrir e a ser mais confiante.

A história é narrada em terceira pessoa, as páginas são amarelas e a diagramação é simples, seguindo o mesmo padrão do volume anterior. A capa, como sempre, está linda e delicada. Assim como no volume um, Ligeiramente Casados, senti falta da presença dos demais Bedwyns e da interação entre os irmãos o que poderia ser mais bem explorados na história. Apesar disso, estou gostando bastante da série e quero ler logo o próximo volume.


Gabriele Sachinski

Minha Caixinha do Correio #56

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Oi gente,

Vamos para a primeira caixinha do correio de 2017 \0/.




Cortesias




Recebi da editora Novo Conceito, o livro "Sete minutos depois da meia-noite" de Patrick Ness junto com um lápis e capa especial. Em breve resenha. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livro "O amor em primeiro lugar" de Emily Giffin. Em breve resenha. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livro "Imperfeitos" de Cecelia Ahern. Em breve resenha. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livro "Um gato de rua chamado Bob" de James Bowen. Em breve resenha. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livro "Eu fico loko 3" de Christian Figueiredo. Em breve resenha. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livro "Heróis da internet" de Italo Matheus e Renan Carvalho. Em breve sorteio. Obrigada Novo Conceito!




Beijos


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