Resenha do livro: O Inquisidor, de Catherine Jinks

segunda-feira, 23 de abril de 2018




         Título original: The inquisitor: a novel
         Editora Contexto
         Literatura Estrangeira/Ficção/Romance histórico/Idade Média
         Número de páginas: 397

“Em 1318, padre Augustin, um novo inquisidor, chega a Lazet, na França, disposto a rever processos antigos do Santo Ofício. Pouco tempo depois é brutalmente assassinado e seu subalterno, padre Bernard, é encarregado da investigação. No entanto, ao tentar proteger quatro mulheres, ele próprio se torna suspeito por seus pares. Acusado de assassinato e perseguido como herege, Bernard terá que lutar por sua vida e a de suas protegidas. As violências praticadas em nome da religião, o intrincado jogo de interesses dos poderosos, o fanatismo, a caça às bruxas e as relações marcadas por luxúria, amor e traição fazem deste romance histórico uma narrativa arrebatadora e – por que não? – terrivelmente atual. 

Sempre que ouço falar em romance de época já imagino mocinhas com personalidades fortes e cavalheiros um tanto quanto libertinos se desentendendo até, enfim, se acertarem e assumirem um compromisso amoroso. Porém, O Inquisidor é um romance de época com uma pegada beeem diferente, mas tão boa quanto a que acabei de citar – se não mais, por apresentar muito suspense e, de quebra, nos ensinar sobre um dos maiores episódios da Idade Média: a Inquisição.

A história se passa no ano de 1318, na Europa. Mais especificamente, em Lazet, na França. Em uma época em que a Igreja Católica era respeitada e temida, qualquer ação mal pensada ou uma palavra mal dita poderia trazer sérias consequências. Até para os padres.

Padre Augustin foi designado para ser o Inquisidor na cidade de Lazet. Metódico e questionador, o padre chega revirando tudo e isso incomoda seu subalterno, Padre Bernard Peyre, que também era o aprendiz do inquisidor anterior.

Como padre Augustin acabou colocando o dedo na ferida de gente muito poderosa, acabou sendo brutalmente assassinado enquanto fazia uma visita a “familiares” na cidade vizinha, Casseras. Chocado e intrigado com o ocorrido, Padre Bernard resolve investigar a morte de seu colega de toga.

A fim de começar sua investigação, vai até Casseras e tenta encontrar os “familiares” a quem o padre visitara. Imaginem qual não foi a sua surpresa ao descobrir que não se tratava de familiares, mas sim de quatro mulheres que eram protegidas por Padre Augustin: Johanna, Babilônia (que tinha problemas mentais), Alcaya e Vitalia.

“A busca pela verdade é tão longa e dolorosa quanto aquela por um homem em pais estrangeiro. O país precisa ser explorado, com muitos caminhos trilhados e muitas perguntas feitas, antes de conseguir encontrá-lo.” (pág. 11) 

Envolvido pela história de vida dessas mulheres, Padre Bernard se vê assumindo a tarefa antes exercida por Augustin: protegê-las. Mas essa sua missão fica ainda mais difícil com a chegada de seu novo superior, o padre Pierre-Julien, o qual era adepto de rituais de magia negra e muito arrogante.

Quanto mais Bernard tenta proteger Alcaya, Vitalia,  Johanna e Babilônia (principalmente essas duas últimas), mais ele se coloca na posição de principal suspeito da morte de Padre Augustin. Se hoje em dia já é difícil provar que nariz de porco não é tomada, imagine em plena Inquisição, na Idade Média, quando qualquer palavra podia te mandar para a forca – ou pior, para a fogueira. É com isso em mente que Padre Bernard precisa usar toda sua inteligência para conseguir salvar a si e a suas protegidas.

A narração é feita em primeira pessoa, na voz de Padre Bernard. É ele que nos relata todos os acontecimentos por meio de uma carta (gigante) que ele dirige a um superior – e de certa maneira, a nós, leitores. É impossível não se envolver com a sinceridade do padre, seu tom espirituoso e suas tiradas bem humoradas.

As páginas são amarelas e o tamanho da fonte é bem agradável aos olhos. Embora pareça um livro longo, a leitura flui muito bem, pois o leitor se vê preso ao emaranhado de acontecimentos, querendo ler a página seguinte para descobrir como será o desfecho de tantas histórias entrelaçadas.

Eu mais do que recomendo esse livro, pois além de ser uma magnífica aula de história, o livro permite diversas abordagens e todas elas nos fazem refletir acerca de pontos com a concepção da figura da mulher na Idade Média (a gente não podia nem ter personalidade que já chamavam a gente de bruxa e queriam nos tacar no fogo – eu, heim rsrs), as relações entre as classes dominantes e a Igreja, a adoração ao dinheiro – principalmente por parte dos integrantes do clero –, o fanatismo e a intolerância religiosa.

É um bom enredo, cheio de tramas ardilosas e muito suspense que você quer? Então, está esperando o que? Vem!! :)

Gabriele Sachinski


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