Resenha do livro: O Quarto Dia de Sarah Lotz

sexta-feira, 22 de julho de 2016





                Título original: Day four
                Editora Arqueiro
                Literatura estrangeira/Suspense
                Número de páginas: 352



Sinopse: Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica... se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro. As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações de bordo sofreram danos irreparáveis. Como milhares de pessoas podem ter sumido sem deixar rastro? Teorias da conspiração se alastram, mas só há uma certeza: 2.962 passageiros e tripulantes simplesmente desapareceram no mar do Caribe.

Não leia a sinopse! Ela contém spoilers....


"O quarto dia" não é continuação do livro "Os Três" (a resenha está aqui), mas cita algumas passagens do livro anterior para nos situarmos. Contudo, ele pode ser lido independentemente sem nenhum problema. Confesso que "O quarto dia" me agradou mais que "Os Três" por ser mais "real", na minha opinião, porém o final também fica em aberto como no primeiro livro da autora. Se você não gosta de finais inconclusivos, provavelmente não gostará dos livros, ou seja, tenha a mente aberta durante a leitura dos mesmos.

A história se passa dentro do cruzeiro marítimo O Belo Sonhador. Os primeiros dias da viagem são tranquilos e podemos conhecer o dia-a dia dos passageiros e dos tripulantes através de 8 personagens principais: Jesse, o médico; Xavier, o blogueiro; Althea, a camareira; Hellen e Elise, as passageiras idosas; Maddie, a assistente da médium; Gary, um passageiro  e Devi, o segurança. Cada um tem um passado e um propósito diferente dentro do navio, portanto temos vários pontos de vista sobre a mesma história.

O ponto de partida é um crime que acontece dentro da embarcação e no qual poucos funcionários dão a devida importância ao caso. A partir dessa tragédia, começam a ser relatadas visões de fantasmas, acontece uma pane no navio, entre outros casos bizarros. Cada capítulo é narrado por uma personagem, por isso temos uma visão geral do que está acontecendo no navio.

"Althea deu de ombros. Talvez ela estivesse certa. Talvez Celine fosse o diabo. Era uma explicação. Não se importava. Deixou-a e foi ver se o menino a esperava na cabine." pág 245

A médium Celine del Rey tem grande importância na história e apesar de ser conhecida como uma provável impostora, ela começa a ter um comportamento estranho que afetará o navio inteiro. O blogueiro Xavier está no navio para desmascará-la. A ajudante de Celine, Maddie, está de saco cheio do trabalho e pretende largar seu emprego. A camareira Althea vem de uma família pobre e de um casamento péssimo, por isso busca um futuro melhor. O médico Jesse guarda segredos do seu passado e do porquê está trabalhando no navio. A amigas idosas Hellen e Elise foram ao cruzeiro com um propósito e pretendem levar esse acordo até o fim.

Todos os passageiros do cruzeiro passam por poucas e boas e nós, leitores, ficamos nos questionando se tudo isso é real ou delírio das pessoas. A trama é bem escrita e trabalhada, pois me fez ficar grudada no livro. Os capítulos são curtinhos e isso deu uma maior velocidade e dinâmica na leitura. Algumas passagens são bem sinistras, o que dá um medinho da história, mas nada exagerado.

A narrativa está em terceira pessoa, com exceção de alguns trechos que estão em primeira pessoa como o blog do Curinga e as entrevistas com os passageiros. O livro está dividido pelos dias que o navio fica no oceano e cada capítulo que está dentro dessas partes está identificado por quem é narrado. Durante a leitura, nos sentimos assistindo um filme, já que a escrita da autora é bem cinematográfica e ágil. O livro é bem incomum como um todo, mas me agradou bastante porque é maravilhoso ler livros diferentes do que estamos acostumados.

O ambiente no qual a história está inserida é bem misterioso, sombrio e arrepiante. Todas a situações que os passageiros passam são assustadoras e aposto que ninguém gostaria de estar na pele deles. Como já disse, o final tem muitas informações, porém não é desvendado explicitamente. Cada leitor tem que tirar suas próprias conclusões, o que pode agradar ou desagradar no fim. Eu gostei bastante do livro, apesar de tudo. Eu ouvir falar que a autora escreverá um livro com explicações sobre o fim dos seus dois livros, então vamos torcer para que seja verdade.

A diagramação é simples e as páginas são amareladas. O livro não tem orelhas, mas as laterais são pintadas de azul escuro. A capa é de uma material fofinho e está belíssima e misteriosa. Leiam e tirem suas próprias conclusões. Te garanto que você pensará em mil explicações em sua cabeça rsrs.

                         




Resenha do livro: Amor de Cordel de Andrea Marques

segunda-feira, 18 de julho de 2016





                  Editora Pandorga
                  Literatura nacional/Romance 
                  Número de páginas: 398


Sinopse: “Aos 38 anos de idade, Carolina Borges achava que tinha a vida perfeita. Casada com Miguel, era feliz mesmo sem ter realizado o sonho da maternidade. No entanto, a convivência com o marido e seu bom desempenho profissional a deixavam satisfeita e segura. O destino lhe prega uma peça e, sem esperar, ela vê sua vida se modificar significativamente. Seu casamento chega ao fim, e sua carreira como terapeuta ocupacional, que sempre lhe proporcionou alegrias, passa a torturá-la. Isso acontece quando o jovem arquiteto Alexandre Bastos entra em seu consultório pela primeira vez, despertando em Carol sentimentos conflituosos que a farão repensar seus valores e a obrigarão a sair de sua zona de conforto para se arriscar em terrenos desconhecidos que poderão colocar em risco sua própria vida. Permeado por traições e intrigas, Amor de cordel é um romance contemporâneo que traz à tona assuntos do universo feminino, além de despertar a paixão até nas mulheres mais modernas e independentes.

Genteeee, quase achei que meu pâncreas não aguentaria produzir insulina pra combater tanto melodrama assim hahahaha. A história em si até que não é ruim, mas era muito mimimi para o meu gosto.

Carol acreditava ter a vida perfeita, pois tinha um marido bonito e sucesso profissional em sua carreira de terapeuta ocupacional. Até que sua vida vira de cabeça para baixo e seu marido pede o divórcio, pois tinha se apaixonado por outra.

Agora, quase aos 40 anos, Carol se via perdida. Aos poucos, ela vai reconstruindo sua vida e se acostumando com a ideia de ser sozinha. Isso até o destino resolver pregar outra peça e colocar na vida de Carol, o charmoso arquiteto Alexandre Bastos. Desde o início os dois se sentem atraídos, mas há várias questões que os impedem de ficarem juntos. A maior delas, para Carol, é a diferença de idade entre eles, já que Alexandre tem apenas 27 anos.

Carol tem muito medo de se envolver nesse relacionamento, pois ela acredita que só irá se machucar ainda mais quando ele resolver ir embora - o que ela acha inevitável. Mas parece ser impossível resistir ao charme do belo arquiteto de olhos cor de jade.

“O fato é que a vida está para ser vivida intensamente, e mesmo que a gente reclame, ela não dá garantia de nada.” (pág.95)

Não sei o que Carol fez para o destino, mas parece que ele não está muito a favor dela. Para viverem realmente esse amor, os dois terão que enfrentar muitos desafios, bem maiores que apenas a diferença de idade entre eles. Será que eles terão a coragem para isso? E será que apenas a coragem é suficiente? O amor é capaz de resistir a tantas provações?

A capa do livro está bem colorida e chamativa. As folhas são amareladas e cada capítulo tem um cordão de corações enfeitando a página. A revisão que deixou um pouco a desejar, pois há erros de pontuação e até mesmo de ortografia (o uso de mal quando o correto seria mau).

A autora passou grande parte do livro falando sobre a terapia ocupacional, talvez por ser essa a sua área de formação, e, na minha opinião, isso era desnecessário. Além disso, como eu já disse, as personagens são bem melosas (com cenas do tipo “se você morrer, eu me mato”). Pra quem gosta de melodramas, o livro é um prato cheio, mas para quem é meio descrente no amor (como eu) a leitura fica cansativa.

Agora vocês decidem se irão aventurar-se nessa história ou não.

Beijinhos! :)


                             Gabriele Sachinski

Resenha do livro: A Garota Sem Passado de Michael Kardos

terça-feira, 12 de julho de 2016





           Título original: Before he finds her
           Literatura estrangeira/Suspense
           Editora Arqueiro
           Número de páginas: 304


Sinopse: Num domingo de setembro de 1991, Ramsey Miller deu uma festa em casa para os vizinhos. Depois, assassinou a esposa e a filha de 3 anos. Todo mundo na pacata cidade de Silver Bay conhece a história. Só que todos estão errados. A menina escapou. Sob o nome falso de Melanie Denison, ela passou os últimos quinze anos escondida com os tios numa cidadezinha remota. Nunca pôde viajar, ir a uma festa na escola ou ter internet em casa, porque Ramsey jamais foi encontrado e poderia ir atrás dela a qualquer momento. Mas, apesar das rígidas regras de segurança impostas pelos tios, Melanie se envolve com um jovem professor da escola local e engravida. Ela decide que seu filho não terá a mesma vida clandestina que ela e, para isso, volta a Silver Bay para fazer o que nem os investigadores locais, nem a polícia federal, nem o FBI conseguiram: encontrar seu pai antes que ele a encontre.

Eu amo livros de suspense policial e a "A garota sem passado" é um prato cheio para quem gosta desse gênero. A história é criativa, tensa e inesperada. A cada virada de página, a ânsia de saber a verdade só cresce e o final foi totalmente inebriante.

A história é sobre Melanie, uma adolescente com um passado conturbado e delicado. Quando ela tinha apenas 3 anos de idade, seu pai Ramsey deu uma festa para a vizinhança e depois assassinou sua esposa. Todos na cidade acreditam que ela também morreu nesse dia, porém ela escapou e mora com seus tios há 15 anos numa cidadezinha bem escondida com um nome falso.

Melanie não pode viajar, ter amigos, navegar na internet, ir à festas e se destacar na multidão porque seu pai nunca foi encontrado e ela ainda corre perigo de vida. Sua vida é monótona e tensa, porém ela encontra tempo para se relacionar com um jovem professor local e engravida.

Depois de viver tanto tempo com medo e se escondendo, ela resolve que seu bebê não pagará pelo seu passado e decide ir atrás de seu pai custe o que custar para dar um fim ao seu sofrimento. Melanie então parte sozinha nessa busca pessoal e volta para a pacata cidade de Silver Bay, sua antiga morada e dá início as investigações.

"Ele não deveria ter ido até ali. O passado era como um peixe tirado do mar: escorregadio e nunca tão bonito quando você imaginava" pág 94

Na cidade, ela faz amigos e inimigos que estão dispostos a ajudá-la ou atrapalhá-la em cada passo que ela dá. A cada revelação, sua história fica ainda mais confusa e tudo o que Melanie quer, é descobrir o que realmente aconteceu naquele triste dia.

Melanie procura antigos amigos e conhecidos de Ramsey para descobrir seu passado conturbado e como era seu cotidiano com a família. Também conhecemos sua mãe e como era sua vida junto com ela e Ramsey. Melanie que nunca teve contato com seus verdadeiros pais, conseguirá recriar o quebra cabeça que era sua vida antes da tragédia e seguir com sua vida adiante?

Durante toda a trama, ficamos ansiosos para solucionar logo o caso, já que o passado de todos os envolvidos parece muito suspeito. Melanie é uma protagonista forte, decidida, corajosa e incansável para ter um futuro melhor e sem traumas, se isso for possível. Seu namorado irá apoiá-la em todos as decisões e ficará ao seu lado na sua busca pelo passado. Melanie passa praticamente toda a investigação sozinha e isso a torna uma das protagonistas mais decididas e firmes que já conheci. Virei fã da personagem.

A trama é tensa, de rápida leitura e muito impactante. A narrativa está em terceira pessoa e é gostosa de ler e fluída. O final é de tirar o fôlego e muito inesperado, por isso o livro me agradou demais. A história é sensacional porque fiquei pensando nela muito tempo depois de ler e nos faz pensar na maldade humana e nas consequências de seus atos.

As páginas são amareladas, a diagramação é simples e a capa está belíssima porque adorei o sentimento que ela passa. Recomendo demais o livro para os amantes desse gênero. Amei!!!



Resenha do livro: O Lado Mais Sombrio de A.G. Howard

terça-feira, 5 de julho de 2016





                        Título original: Splintered
                      Editora Novo Conceito
                      Literatura Estrangeira/Ficção/Fantasia
                      Número de páginas: 367


Sinopse: “Alyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas. Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer. Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real – o superprotetor Jeb –, mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas. Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa...”

Eu sempre gostei da história de Alice no País das Maravilhas e também gosto muito da ideia das releituras dos clássicos. Então, ler esse livro foi unir o útil ao agradável.

Alyssa é tataraneta de Alice (sim, a Alice do País das Maravilhas) e convive com a maldição que atormenta todas as mulheres da família Liddell: ouvir as plantas e os insetos. Além disso, sua mãe, Alison, está internada há anos em um hospício devido a um incidente envolvendo ela, Alyssa, uma mariposa e uma tesoura de poda.

Al não gosta muito de visitar sua mãe, pois teme que aquele seja também o seu futuro. Além do mais, Alison parece não dizer coisa com coisa, mas talvez haja muito mais por trás dos seus ‘delírios’. Isso só Alyssa será capaz de descobrir.

Nossa protagonista só queria ser uma garota normal, dentro do possível: se formar, continuar a fazer seus mosaicos com insetos mortos e declarar-se para Jeb. Mas quando uma mariposa aparece em sua vida, algumas memórias ameaçam vir à tona. E então, surge a toca do coelho.

Alyssa entra no País das Maravilhas e percebe que lá nem tudo é como Lewis Carroll descreve em seu livro. Na sua ‘viagem’, Al acaba por levar Jeb consigo e, juntos, eles enfrentarão diversas aventuras. Será que com essa proximidade, em um mundo estranho e sombrio, ela conseguirá revelar seus sentimentos?

“E aqui estou eu, a união de tudo isso. A luz e a escuridão ao mesmo tempo. Caso eu cedesse a um de meus lados, será que eu teria que abdicar do outro? Meu coração dói ao pensar nisso. De alguma maneira, sinto que preciso dos dois para estar completa.” (pág. 269)

Outro personagem de extrema importância para a trama é Morfeu, a Mariposa. Ele é uma criatura intraterrena (sobrenatural, nascida no País das Maravilhas) e (ex?) amigo de infância das mulheres Liddell’s, em especial de Alyssa, por quem tem sentimentos muito mais do que apenas amigáveis.

Em um País das Maravilhas distorcido, obscuro e até cruel, no qual as famosas criaturas de Carroll – A Lagarta, o Gato de Cheshire, a Rainha de Copas, o Coelho Branco e o Chapeleiro Maluco – não são nada do que parecem (muito menos como foram descritas no original), Alyssa fica sem saber em quem confiar. A única coisa que ela sabe é que precisa salvar aquele mundo, sua mãe e a si mesma. Talvez essa seja sua única chance de não ir parar numa clínica psiquiátrica.

Howard tem um estilo de escrita incrível. As cenas são super bem descritas e ricas em detalhes. A releitura que ela constrói do famoso clássico de Alice é simplesmente apaixonante. Até mesmo o triângulo amoroso foi muito bem construído.

Falando no triângulo, acho que os envolvidos merecem uma breve descrição. Jeb é o cavaleiro da armadura reluzente de Alyssa. Moreno, forte, lindo (se ela não quiser, eu quero hahaha) e capaz de despertar os melhores sentimentos em Al. O único probleminha é que ele é extremamente super protetor. Já Morfeu é sexy e sedutor, mas, sinceramente, na maior parte do tempo eu tinha vontade de estrangulá-lo. Podemos dizer que eles representam muito bem a confusão de Alyssa entre luz e escuridão, loucura e sanidade.

A narração é em primeira pessoa, com um ritmo leve e fluído, extremamente detalhista e sem ser cansativo. As páginas são amareladas e a diagramação é simplesmente linda, com flores intricadas no início de cada capítulo e detalhes sutis nas demais folhas. Faltam-me adjetivos para descrever essa capa: maravilhosa, espetacular, fantástica, de tirar o fôlego... Não sei! Só sei que sou apaixonada por ela.

Super recomendo a leitura. Só aviso que é bom você começar a lê-lo quando tiver tempo porque depois que começar, você não vai mais querer largar.
Favoritado! <3


Link para o Booktrailer AQUI



Gabriele Sachinski


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