Resenha do livro: Análise e produção de textos de Leonor Werneck Santos et. al.

segunda-feira, 14 de maio de 2018


           Editora Contexto
         Produção de textos/Estudo e ensino/Língua Portuguesa
         Número de páginas: 190

“Ensinar os estudantes a dominar as três práticas de linguagem - leitura, produção textual e análise linguística - é uma das missões mais importantes do professor de ensino fundamental. Este livro surge como um precioso aliado nessa tarefa. Assim, alguns gêneros próximos aos alunos foram escolhidos para que sejam explorados objetivos, características linguísticas e formais, intencionalidades e funções sociais. Os capítulos trazem atividades que partem do conhecimento de mundo dos alunos, passam pela análise detalhada dos diferentes aspectos dos textos até chegar à escrita. Dessa forma, os estudantes colocam em prática os conhecimentos adquirido.”

Carta na manga. Livro chave. Grata surpresa. Meu salvador. Quaisquer dessas definições cabem muito bem para esse livro. Essa é uma daquelas obras que todo professor de Língua Portuguesa deve ter sempre consigo.

O livro trata sobre o tema que norteia toda e qualquer aula de português: os gêneros textuais. São eles que devem organizar o trabalho com a língua, pois servem de pretexto para toda e qualquer análise que venha a ser feita. Porém, isso nem sempre é tarefa fácil. Contextualizar uma sequência de aulas com base em um gênero exige muito esforço, tempo e disposição do professor. E, cá entre nós, nem sempre conseguimos encontrar forças para tal tarefa.
 
“Sabemos, no entanto, que nem sempre é fácil para o educador planejar e operacionalizar atividades que, de fato, desenvolvam as habilidades e os conhecimentos linguísticos dos seus alunos. Daí a importância deste livro, produzido para auxiliar o professor.” (pág. 14)

Em “Análise e produção de textos”, os autores nos auxiliam – e muito – nessa árdua tarefa. Após uma breve reflexão teórica sobre os gêneros textuais, sua finalidade como meio de expressão e interação social e a abordagem dada a eles na legislação educacional brasileira, os escritores apresentam capítulos super práticos, com ótimas dicas de tarefas para se trabalhar as três práticas de linguagem essenciais aos estudantes: leitura, análise linguística e produção textual (oral e escrita).

Os gêneros abordados são variados, tais como contos, histórias em quadrinhos, receitas, anúncios, resenhas, notícias, editoriais, charges, entrevistas, cartas, artigos de opinião, entre outros. Todos os capítulos apresentam um “texto exemplo” do gênero em estudo (repertório excelente, de verdade!) e atividades que incluam os processos pré e pós textuais, bem como atividades de leitura, interpretação e análise linguística. Muitos desses exercícios podem ser repassados diretamente aos alunos. Além disso, os autores dão dicas e instruções valiosas para o professor, incitando, inclusive, este a buscar mais sobre o assunto. Para completar, todos os exercícios têm possíveis gabaritos, que estão disponíveis no site da Editora Contexto.

Se você é professor de Língua Portuguesa, iniciante ou experiente, conheça essa obra e teste as propostas apresentadas, pois tenho certeza de que os seus alunos terão bons resultados. Se você é estudante de Letras e precisa de apoio para a produção de material didático (sim, eu vos entendo rsrs), nesse livro vocês encontrarão uma fonte riquíssima de ideias. E se você é aluno – seja do ensino fundamental, médio, superior, concurseiro ou da vida –, o livro pode ser uma oportunidade de treinar seu domínio sobre gêneros textuais e demais aspectos da nossa bela Língua Portuguesa.

Esse é um daqueles livros que podemos categorizar como investimento. Super recomendo!

Gabriele Sachinski

Resenha do livro: Um sedutor sem coração de Lisa Kleypas

segunda-feira, 7 de maio de 2018



           Título original: Cold-Hearted Rake
         Editora Arqueiro
         Literatura Norte Americana/Romance de época
         Número de páginas: 319

Sinopse: “Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu? Um sedutor sem coração inaugura a coleção Os Ravenels com uma narrativa elegante, romântica e voluptuosa que fará você prender o fôlego até o final."

Sem dúvidas, meu gênero favorito atual é o romance de época. Melhor ainda se esse for da Arqueiro, assinado pela linda Lisa Kleypas – que já roubou meu coração outras vezes, com suas séries fabulosas.

Um sedutor sem coração é o primeiro volume da Série Os Ravenels, a qual é composta por quatro volumes. Nele, conhecemos, de uma só vez, dois irmãos Ravenels: Devon e Weston. Ambos com temperamento “marcante” (característica da família), libertinos, irresponsáveis e condescendentes consigo mesmos.

Nenhum dos dois tinha mais do que uma pequena fortuna, muito bem gasta com mulheres e bebidas, segundo eles mesmos, e um sobrenome aparentado à aristocracia londrina. Mas isso muda quando o primo deles, Theo – o Conde Trenear –, cai do cavalo (literalmente) e morre, deixando para Devon o título e, com ele, todas as obrigações de um lorde.

Obviamente, Devon não queria nada disso, pois a responsabilidade que que o titulo lhe traria seria mais do que ele supunha suportar. Esse seria um problema fácil de resolver, pois bastaria apenas vender a propriedade e o título – o que seria pouco convencional, mas quem se importava? Devon, com certeza, não.
Na verdade, era exatamente isso que ele pretendia fazer. Ainda mais quando ficou sabendo que, além do título, ele tinha herdado a responsabilidade sobre três primas (irmãs de Theo) e uma jovem viúva. Para piorar, o condado tinha dívidas suficientes para ser declarado falido e para deixar pobre qualquer tolo que tentasse saldar os débitos.

Porém, a determinação de Devon cedeu quando ele conhece Kathleen Trenear, viúva de Theo. A jovem, casada por apenas três dias, não foi nem um pouco com a cara do novo conde, pois ouviu este afirmar a West que se livraria do título e das mulheres que o acompanhavam o mais rápido que pudesse. Para ela, Devon não passava de um cafajeste insolente, irresponsável e, acima de tudo, covarde.

Logo nas primeiras páginas, o casal troca farpas e os desentendimentos parecem não ter fim. Como uma forma de afrontá-la, Devon resolve assumir todas as suas responsabilidades e colocar ordem na casa. Ao mesmo tempo em que tentava arrumar as coisas, buscava formas de provocar Kathleen, desdenhando de todas as regras sociais que ela tentava obedecer – mesmo que essas fossem incoerentes, tais como guardar anos de luto por um homem com o qual ficou casada apenas por três dias.

A atração entre ambos é inegável, desde as primeiras páginas percebemos que esse será um romance regado com muitos encontros furtivos e cenas mais quentes. Porém, nenhum dos dois estava disposto a libertar-se de suas convicções (ele, um cafajeste sem coração, ela, uma viúva casta) para se entregarem à paixão que tomava conta de seus corações.

“Conheço muitos fatos científicos sobre o coração humano, e um deles é que é muito mais fácil fazer um coração parar de bater em definitivo que evitar amar a pessoa errada.” (pág. 174)

Aos poucos, as coisas parecem estar entrando nos trilhos e Trenear  parece encontrar uma luz no fim do túnel. Isso até o trem em que estava, quando viajava de volta à Hampshire, descarrilhou e tombou. Com isso, a vida de todos saiu, mais uma vez, dos trilhos (literalmente rsrs).

Depois de quase morrer, Devon repensa sobre suas atitudes, afinal, a experiência de quase morte é capaz de mudar um homem, não é mesmo? Mas será capaz de mudar também as convenções sociais que permeiam a aristocracia londrina? Até que ponto uma família é capaz de resistir às turbulências do destino? Eu diria que uma família normal talvez não suportasse tanto, mas os Ravenels não são nem um pouco normais...

Essa é uma narrativa envolvente e muito bem construída. Nela, o mais importante talvez não seja o final, já que ele não é nem um pouco surpreendente em se tratando de romances de época, mas sim a forma como os personagens amadurecem no decorrer dos acontecimentos. Para mim, a personagem mais cativante desse livro não é nenhum dos protagonistas, mas sim Weston Ravenel. A maneira como a autora delineou sua personalidade e como ela descreveu a evolução de caráter que ele teve me deixou na torcida para que ele tenha um volume só dele.

Quanto a Devon e Kathleen, acho que ambos aprenderam muito sobre a importância de repensar certos conceitos impostos pela sociedade, pois eles podem atrapalhar nossa felicidade. Outro ponto chave é que, às vezes, o destino pode se mostrar cruel, mas talvez o melhor ainda esteja por vir, mas só saberemos se tivermos a coragem de enfrentar os problemas que surgirem...

As páginas são amarelas, a fonte é bem agradável aos olhos, a diagramação está bem caprichada e a capa, como sempre, está linda. Para não perder o costume, termino esse livro suspirando e ansiosa pelo próximo volume da série – ainda por ser lançado pela Editora –, pois já tivemos um gostinho de como será o relacionamento do próximo casal.

Recomendo! <3

Gabriele Sachinski

Minha Caixinha do Correio #62

terça-feira, 1 de maio de 2018



Boa tarde a todos!

Sei que estou um pouco ausente do blog, porém não desistam de mim rsrs.

Segue os últimos livros que recebi nos últimos meses. 




PARCERIA

Recebi da Editora Arqueiro os livros abaixo. Muito obrigada Arqueiro!!!













Obrigada!


Resenha do livro: O Inquisidor, de Catherine Jinks

segunda-feira, 23 de abril de 2018




         Título original: The inquisitor: a novel
         Editora Contexto
         Literatura Estrangeira/Ficção/Romance histórico/Idade Média
         Número de páginas: 397

“Em 1318, padre Augustin, um novo inquisidor, chega a Lazet, na França, disposto a rever processos antigos do Santo Ofício. Pouco tempo depois é brutalmente assassinado e seu subalterno, padre Bernard, é encarregado da investigação. No entanto, ao tentar proteger quatro mulheres, ele próprio se torna suspeito por seus pares. Acusado de assassinato e perseguido como herege, Bernard terá que lutar por sua vida e a de suas protegidas. As violências praticadas em nome da religião, o intrincado jogo de interesses dos poderosos, o fanatismo, a caça às bruxas e as relações marcadas por luxúria, amor e traição fazem deste romance histórico uma narrativa arrebatadora e – por que não? – terrivelmente atual. 

Sempre que ouço falar em romance de época já imagino mocinhas com personalidades fortes e cavalheiros um tanto quanto libertinos se desentendendo até, enfim, se acertarem e assumirem um compromisso amoroso. Porém, O Inquisidor é um romance de época com uma pegada beeem diferente, mas tão boa quanto a que acabei de citar – se não mais, por apresentar muito suspense e, de quebra, nos ensinar sobre um dos maiores episódios da Idade Média: a Inquisição.

A história se passa no ano de 1318, na Europa. Mais especificamente, em Lazet, na França. Em uma época em que a Igreja Católica era respeitada e temida, qualquer ação mal pensada ou uma palavra mal dita poderia trazer sérias consequências. Até para os padres.

Padre Augustin foi designado para ser o Inquisidor na cidade de Lazet. Metódico e questionador, o padre chega revirando tudo e isso incomoda seu subalterno, Padre Bernard Peyre, que também era o aprendiz do inquisidor anterior.

Como padre Augustin acabou colocando o dedo na ferida de gente muito poderosa, acabou sendo brutalmente assassinado enquanto fazia uma visita a “familiares” na cidade vizinha, Casseras. Chocado e intrigado com o ocorrido, Padre Bernard resolve investigar a morte de seu colega de toga.

A fim de começar sua investigação, vai até Casseras e tenta encontrar os “familiares” a quem o padre visitara. Imaginem qual não foi a sua surpresa ao descobrir que não se tratava de familiares, mas sim de quatro mulheres que eram protegidas por Padre Augustin: Johanna, Babilônia (que tinha problemas mentais), Alcaya e Vitalia.

“A busca pela verdade é tão longa e dolorosa quanto aquela por um homem em pais estrangeiro. O país precisa ser explorado, com muitos caminhos trilhados e muitas perguntas feitas, antes de conseguir encontrá-lo.” (pág. 11) 

Envolvido pela história de vida dessas mulheres, Padre Bernard se vê assumindo a tarefa antes exercida por Augustin: protegê-las. Mas essa sua missão fica ainda mais difícil com a chegada de seu novo superior, o padre Pierre-Julien, o qual era adepto de rituais de magia negra e muito arrogante.

Quanto mais Bernard tenta proteger Alcaya, Vitalia,  Johanna e Babilônia (principalmente essas duas últimas), mais ele se coloca na posição de principal suspeito da morte de Padre Augustin. Se hoje em dia já é difícil provar que nariz de porco não é tomada, imagine em plena Inquisição, na Idade Média, quando qualquer palavra podia te mandar para a forca – ou pior, para a fogueira. É com isso em mente que Padre Bernard precisa usar toda sua inteligência para conseguir salvar a si e a suas protegidas.

A narração é feita em primeira pessoa, na voz de Padre Bernard. É ele que nos relata todos os acontecimentos por meio de uma carta (gigante) que ele dirige a um superior – e de certa maneira, a nós, leitores. É impossível não se envolver com a sinceridade do padre, seu tom espirituoso e suas tiradas bem humoradas.

As páginas são amarelas e o tamanho da fonte é bem agradável aos olhos. Embora pareça um livro longo, a leitura flui muito bem, pois o leitor se vê preso ao emaranhado de acontecimentos, querendo ler a página seguinte para descobrir como será o desfecho de tantas histórias entrelaçadas.

Eu mais do que recomendo esse livro, pois além de ser uma magnífica aula de história, o livro permite diversas abordagens e todas elas nos fazem refletir acerca de pontos com a concepção da figura da mulher na Idade Média (a gente não podia nem ter personalidade que já chamavam a gente de bruxa e queriam nos tacar no fogo – eu, heim rsrs), as relações entre as classes dominantes e a Igreja, a adoração ao dinheiro – principalmente por parte dos integrantes do clero –, o fanatismo e a intolerância religiosa.

É um bom enredo, cheio de tramas ardilosas e muito suspense que você quer? Então, está esperando o que? Vem!! :)

Gabriele Sachinski


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