Resenha do livro: Ovelha - Memórias de um Pastor Gay de Gustavo Magnani

domingo, 6 de setembro de 2015




                  Editora Geração
                  Literatura nacional/Ficção
                  Número de páginas: 232


Sinopse: Este livro, estreia impressionante de um jovem e talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens.Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado no hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora.


Não recomendado para menores de 18 anos!


Se você é preconceituoso, não gosta de livros eróticos ou é um religioso fanático, NÃO LEIA esse livro!!! As cenas de "Ovelha - Memórias de um pastor gay" são repletas de assuntos polêmicos, mas ao mesmo tempo interessantes porque a história tem um mix de itens que nunca imaginaríamos ler em uma única obra. O diferencial dele é que a trama é contata de uma maneira tão pesada e leve ao mesmo tempo, que poderia ser real, se não for.

A história é sobre um pastor que foi criado por uma mãe beata, fanática pela religião e que desde pequeno foi apontado como um futuro pastor. Ele cresceu com esse estigma, concretizando esse sonho da mãe. Ele sempre foi submisso e não fez muitas coisas por medo de confrontá-la e apesar de ser muito religioso e carismático, ser pastor não era o seu propósito na vida, pois ele guarda alguns segredos.

Um deles é que ele é gay, mas nunca contou isso para os familiares e muito menos para a congregação. Se você acha que ser um pastor gay já é o motivo do livro ser chocante, ainda tem mais. Ele é casado com uma ex-prostituta e tem dois filhos com ela. Isso tudo foi para manter a fachada porque ele ainda era um pastor solteiro com quase 30 anos. O casamento foi a comprovação para o mundo de que ele era hétero, apesar da esposa ter sido uma garota de programa e não agradar a sogra.

A família do pastor é toda torta e problemática, começando com o pai que não parava em casa. A mãe viu na religião uma válvula de escape para sua vida e quis levar os 4 filhos com ela, porém só o pastor que seguiu os passos da matriarca, mesmo tendo diversos confrontos internos. Ele nos conta a sua história nesse livro autobiográfico.


"Agora que o senhor sabe o que de fato sou, talvez não me perdoe. E, se simpatizava com minha figura, talvez a odeie. Eu odiaria. Nunca fui fã de vilões ou de anti-heróis, mas prestar essa alcunha a mim é denegrir a classe de tão bons personagens. Estou mais pra indigente literário: sem classificação para cair morto - e ai se o senhor pensa que por isso me considero especial." pág 66

A trama é narrada como se fosse um diário e o pastor não tem papas na língua. Ficamos sabendo de seus casos amorosos em detalhes, seus sentimentos, suas dúvidas, sua vida no hospital e tudo o que ele passou. Esse diário é praticamente uma carta de suicídio que ele escreveu para nos chocar. E é claro que ele conseguiu. Ele teve duas vidas: uma de fachada que era um bom marido, hétero, pastor fiel da igreja e a outra de verdade, onde ele é gay, tem casos amorosos com homens e pode ser ele mesmo. Sua vida foi baseada em uma mentira.

O pastor conta em uma escrita nua e crua sua vida de duas caras e como ele fazia para buscar no sexo masculino uma válvula de escape. Ele tenta ser hétero, mas não consegue conter sua natureza. Ele gosta de estar com outros homens, mesmo sendo casado e amar a sua mulher. Além disso, se sente mal, pois tem que julgar outras pessoas gays na igreja, enquanto ele mesmo é um. 

No geral, o livro nos faz refletir sobre como o mundo é feito de aparências, porque se todos aceitassem sua condição sexual, ele não teria passado 1/3 dos problemas que passou. Mostra também como é triste ter uma vida baseada na mentira, onde não se pode ser quem é de verdade. Além disso, também nos faz pensar sobre o perigo de ser promíscuo e ter um comportamento de risco, pois o seu fim foi causado justamente por isso, já que ele não cuidou da sua saúde e do seu corpo.

A leitura foi bem rápida. Adorei a forma como os capítulos estão divididos, pois cada um tem um título super explicativo e é bem curto, dando velocidade na leitura. Sim, a trama é chocante e expõe uma ferida aberta do protagonista. Ele escreve esse diário no hospital, pois está com os dias contados e não aguenta mais ter que mentir sobre o seu passado.

O Gustavo conseguiu escrever um livro emblemático, original e muito polêmico. Quase pensamos se tratar de uma história verídica por causa da forma como é escrito. A narrativa está em primeira pessoa pelo pastor e é bem direta, sem enrolação. As páginas são amareladas e a capa está muito bonita. Se você gosta de livros no formato diário ou de livros com assuntos diretos e surpreendentes, pode se aventurar no livro que você vai gostar.

Esteja preparado para as revelações de "Ovelha - Memórias de um pastor gay"!


Um comentário:

  1. Mulheeeer que intenso! Fiquei curiosa!

    Parabéns pela resenha :)

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