Conquiste o mundo com suas palavras!

sexta-feira, 23 de março de 2018
Olá, queridos! 

Hoje trago a vocês uma produção literária ao invés dos textos que já estamos acostumados: uma carta argumentativa escrita por uma aluna minha. A proposta era escrever uma carta que viaja no tempo e deixa uma mensagem aos leitores. E o resultado você confere aqui: 


Cidade da Paz, 28 de dezembro de 2018.

Melissa,

Estou deixando escrita esta carta para que quando você crescer, você possa ler e analisar seu conteúdo, para que viva em um mundo melhor.

Como você está vivendo o mundo de agora, não deve saber muitas histórias do passado. Vou contar como era esse tempo para que você e as pessoas de agora consigam mudar para melhor a vida.

Antigamente, não existia mita violência, assaltos, roubos. As famílias tinham muitos filhos, que trabalhavam desde novos, a maioria juntos, sempre com o objetivo de gerar dinheiro e união entre eles. 

Era uma vida mais saudável, pois a alimentação era produzida pelas próprias pessoas.

No meu tempo, tivemos muito avanço tecnológico, o que trouxe vantagens e desvantagens.

A tecnologia ajudou muito, pois com ela tudo se torna mais fácil, para estar informado das notícias, exames, estudos e comunicar-se com alguém distante basta apenas alguns toques em uma tela. Mas isso também afastou as pessoas no diálogo do dia a dia e existe muitas pessoas que usam a tecnologia para fazer mal a outros e pesquisas maldosas.

Os momentos das famílias diminuíram, a alimentação passou a ser mais industrial, tivemos uma crise de aumento da violência, assaltos, roubos e tiroteios, que só a ação da polícia para contê-los não bastava. Hoje, em 2018, o cenário de violência tomou conta da cidade do Rio de Janeiro, onde, em 24 horas, são registrados pelo menos 4 tiroteios em confrontos, com feridos e mortos. Outro exemplo é a guerra da Síria, que começou em 2011 e já registrou mais de 500 mil mortos, 1,5 milhões de pessoas feridas e 5 milhões de refugiados nesses 7 anos de conflito.

Para o mundo ser melhor, precisamos viver mais em paz com os outros saber respeitar a natureza de forma correta, procurar alimentos mais saudáveis e menos agressivos à saúde. Devemos procurar realizar os sonhos dignamente, honestamente e ser mais sinceros para com os outros. Enfim, viver em um mundo de paz!

Um grande abraço, 

Larissa Martins Wiedmer.


A autora, Larissa Martins Wiedmer, tem 12 anos e é aluna do Colégio Dinâmico, Lapa/PR.

E você, o que espera de seu futuro? Conta pra gente! :)

Resenha do livro: Introdução à Linguística I: Objetos Teóricos de José Luiz Fiorin (Org.)

terça-feira, 13 de março de 2018


          Editora Contexto
           Linguística/Estudo e ensino/Língua Portuguesa
           Número de páginas: 227

“Abrangendo os principais objetos teóricos da Ciência da Linguagem, Introdução à Linguística traz para todos os interessados na compreensão da linguagem humana um repertório vastíssimo que abarca desde uma explicação do que é a Linguística, de como se processa a comunicação humana, até chegara uma apresentação minuciosa de seus cinco principais objetos teóricos criados nos séculos XIX e XX (langue, competência, variação, mudança e uso). Escrito por uma equipe de especialistas, sob a coordenação de José Luiz Fiorin, com textos testados em sala de aula, a obra consegue a proeza de ser ampla sem correr o risco de superficialidade.  Mais que um livro, é um curso completo de Introdução à Linguística, agora à disposição de professores e alunos das universidades brasileiras.”

Não sei se todos sabem, mas sou formada em Letras pela PUCPR. Sempre fui apaixonada pelos livros, porém não foram eles que me levaram a escolher esse curso. Minha decisão venho do amor que tenho pela Língua Portuguesa. Amor este que só se fortaleceu com a leitura de livros como Introdução à Linguística I.
Esse livro é leitura quase que obrigatória para os ingressantes no curso de Letras, uma vez que oferece um panorama geral de alguns conceitos básicos da Linguística, escrito por especialistas na área.

“Introdução à Linguística I: Objetos Teóricos” é uma coletânea de artigos que elucidam temas que vão desde o surgimento da Linguística, perpassando por seus objetos teóricos mais antigos e atuais e mostrando os fenômenos naturais das línguas nativas: a variação linguística.
 
“[...] sem a linguagem não há como conhecer o homem. Ao mesmo tempo, [...] sem conhecer a Linguística não há como conhecer a linguagem, não há como decifrar seus mistérios, não há como revelar sua epifania.” (pág. 09).

O livro tem, ao todo, 10 capítulos e em cada um deles uma importante parte da Linguística é explicada de maneira bem clara. No primeiro, há a diferenciação entre Linguagem (capacidade de se comunicar), Língua (os idiomas, por assim dizer) e Linguística (a ciência que estuda os conceitos anteriores), baseando-se nos conceitos de Saussure, o pai dos estudos linguísticos.

O segundo artigo aborda os modelos teóricos desenvolvidos acerca da capacidade humana de se comunicar. Muitos desses modelos servem de base ainda hoje para o trabalho de outras áreas do conhecimento, tais como o modelo de Jakobson, base para a construção dos discursos jornalísticos e publicitários.

O capítulo seguinte trata sobre os signos linguísticos e a forma como construiu-se um acordo consensual e coletivo a respeito de seus sentidos no dia a dia. Para ficar mais claro, cada signo linguístico seria equivalente a uma palavra, a qual sempre evoca uma imagem no cérebro, a fim de que esse a interprete. Para exemplificar esses conceitos, o autor se apoiará em dois grandes clássicos da literatura: Alice no País das Maravilhas e As viagens de Gulliver.

No capítulo quatro é a vez de esmiuçar o objeto teórico da Linguística: a língua e todas as variações de sentido que esse termo possui, de acordo com a teoria em foco – gerativista, de Chomsky, ou estruturalista, de Saussure.

O capítulo seguinte vai tratar sobre a importância de se estudar a Língua Portuguesa na escola, mesmo que saibamos usá-la (com certa proficiência) desde os 4 anos. Na minha opinião, esse é o capítulo mais legal do livro, pois mostra a relação estreita que há entre as grandes áreas dos estudos linguísticos (fonética e fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática).

Os três capítulos seguintes abordarão a questão da variação linguística e as mudanças que esse fenômeno natural causa nas línguas – aqui eles explicam, por exemplo, por que e como passamos de “Vossa Mercê” para “Você” (já adianto, foi um longoooo processo rs).

O penúltimo artigo fala sobre a linguística textual, ou seja, as subcamadas do texto e os motivos (conscientes ou não) que levaram o autor a fazer certas escolhas linguísticas ao invés de outras. Toda forma de comunicação é intencional, e toda escolha lexical traz consigo uma carga semântica que induzirá o leitor a interpretar o texto de uma maneira e não de outra.

Por fim, apresenta-se um panorama sobre as teorias de aquisição de linguagem, ou seja, as várias visões teóricas (não apenas de linguistas, mas de outros estudiosos, como, por exemplo, psicólogos.) que se tem sobre a capacidade humana de comunicar-se por sistemas linguísticos. Se o capítulo cinco eu classifiquei como mais legal, esse eu classifico como obrigatório – mesmo para aqueles que não cursam Letras. Se você tem (ou pretende ter) filhos, leia esse artigo. Se você conhece uma criança, leia-o – você nunca mais encarará um “ága” (água) da mesma forma. Se você se interessa por games ou programação de computadores, sem dúvidas, leia esse capítulo. Com certeza, você ficará admirado (e encantado) com a complexidade do nosso cérebro em ser capaz de desenvolver e aprender sistemas linguísticos de comunicação.

Depois de tudo isso, é mais do que óbvio que eu indico esse livro, pois embora seja uma leitura ‘teórica’, ela é bem clara e autoexplicativa, voltada, também, aos leigos no assunto. E se você pensa em cursar Letras (<3), ou e interessa por essa área, a leitura desse livro pode te oferecer uma ideia bem ampla do que esperar do curso :)

Gabriele Sachinski

Resenha do livro: As garotas de Corona Del Mar de Rufi Thorpe

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


         
Título original: The girls from Corona Del Mar
Editora Novo Conceito
Ficção/Romance Norte Americano 
Número de páginas: 285

“Lorrie Ann e Mia cresceram em uma cidade ensolarada da Califórnia dos anos 1990, em uma época em que as pessoas compravam facilmente uma casa na praia. Uma é o oposto da outra, mas são inseparáveis. E Lorrie Ann é o exemplo do que Mia sempre desejou ser. Entretanto, alguns imprevistos fazem com que sigam caminhos nunca imaginados por ambas. Ano após ano, Lorrie Ann e Mia vivem as consequências de suas ações e decisões do passado. Um encontro entre as duas alguns anos depois faz Mia questionar por que a vida delas tomou rumos tão diferentes. As garotas de Corona Del Mar é uma história sobre amor, maternidade, lealdade e, principalmente, a prova de que nem toda amizade é perfeita. Quanto verdadeiramente sabemos sobre as pessoas que amamos?”

Todo mundo já deve ter escutado, ou lido, pelo menos uma vez, que "mulheres têm um negócio chamado melhor amiga que é mais sério que casamento", não é mesmo? Esse livro leva isso bem a sério ao relatar a história de amizade entre Lorrie Ann e Mia.

Duas jovens garotas crescendo juntas em uma cidadezinha a beira-mar, com vizinhança fofoqueira e onde as aparências parece bastar para se tecer julgamentos e apostas sobre o futuro - promissor ou não. Foi com base nisso que Mia acreditava que, por vir de uma família desestruturada e por ser 'má' (irônica, impulsiva e egoísta), não teria grandes perspectivas, tendo que aceitar o que viesse e cuidar da mãe bêbada e dos irmãos mais novos. Por outro lado, a perfeita Lorrie Ann (linda, doce e cordial), vinda de uma família mais perfeita ainda, poderia ter tudo o que o mundo viesse a lhe oferecer.

Porém, a vida não oferece garantias, pelo contrário, ela adora jogar com nossos destinos e as vidas 'planejadas' começam a sair fora dos trilhos. Contrariando as expectativas, Mia sai da cidade para cursar Letras Clássicas e consegue bolsas para viajar à Turquia, a fim de participar de um projeto de tradução de um texto muito antigo - o que poderia lhe render alguns bons louros. Já Lorrie Ann engravida ainda adolescente e decide não abortar, casando com seu namorado e virando dona de casa. Com isso, as duas acabam se distanciando – física e emocionalmente.

Até então as coisas não parecem tão fora do controle. Mas então um erro médico faz com que a vida de Lor vire de cabeça para baixo: seu filho nasce com paralisia cerebral grave e seu útero se rompe, quase a matando. De dona de casa, ela é promovida a mãe de uma criança com grandes necessidades especiais. Enquanto isso, Mia tenta se reaproximar, mas não encontra brechas para tal.

Então, chega a guerra do Iraque e Lorrie fica viúva, tendo que ser dona de casa, mãe guerreira e garçonete em um restaurante para sustentar a si e ao filho. Depois, sua mãe sofre um acidente e ela precisa cuidar dela também. Enquanto isso, Mia está na Turquia, com um relacionamento cada vez mais sério e próxima de conseguir terminar a tradução do texto antigo, no qual vem trabalhando há anos.

Mesmo com toda essa distância entre ambas, elas tentam sempre manter contato e apoiar uma a outra, mas Mia nunca deixa de se questionar sobre as injustiças nas vidas delas, afinal, ela era a má e Lor era a boa, então por que era a outra que levava uma vida tão sofrida? Se Deus existia por que permitia tanta injustiça?

“Ocorreu-me então que talvez a Lorrie Ann nunca tenha sido boa, talvez eu a tenha compreendido errado. Talvez ela só tivesse medo demais de quebrar as regras.” (pág. 161)

O que deu para perceber foi que Mia colocava Lorrie Ann em um pedestal, como se ela fosse uma espécie de deusa, superior a todos os outros humanos, quando, na verdade, ela era apenas uma mulher tentando superar todas as adversidades que a vida lhe impôs - e falhando. Toda vez que a Deusa Lorrie Ann não age como Mia esperava, ela se frustra, o que mostra que, às vezes, nós que colocamos expectativas demais em determinadas pessoas, esquecendo-nos de que elas também erram, de que elas também são humanas. 

Será que a amizade das duas é forte o suficiente para superar inveja, frustrações, arrependimentos, vícios e, até, traições? O quanto é possível suportar por um amigo? 

O livro não é linear, parecendo um grande quebra-cabeça, em que as partes vão se encaixando, para, no final, talvez, fazerem algum sentido (mas só talvez). A narração alterna entre primeira e terceira pessoa, sempre na perspectiva da Mia, portanto, só sabemos da Lorrie Ann o que a amiga nos conta. A narrativa possui uma carga emocional tão alta que é difícil distinguir o certo do errado, as nossas emoções das de Mia, o que é real do que é fantasia.

Confesso passei grande parte da leitura tentando encontrar uma lógica por trás de toda a história, tentando decifrar se a autora queria passar uma mensagem com esse enredo, porém não cheguei a nenhuma conclusão, pois as possibilidades são várias. Contudo, parece-me que, acima de tudo, a intenção (se é que há alguma) é questionar sobre as consequências de nossas ações, as consequências do livre arbítrio humano. Afinal, se mal temos controle sobre nosso destino como esperamos querer controlar ou julgar o futuro dos outros?

Gabriele Sachinski

Resenha do livro: A 5ª Onda de Rick Yancey

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


            Título original: The 5th Wave
         Editora Fundamento
         Romance/Ficção/Supernatural
         Número de páginas: 367


“Depois da primeira onda, só restou a escuridão. Depois da segunda onda, somente os que tiveram sorte sobreviveram. Depois da terceira onda, somente os que não tiveram sorte sobreviveram. Depois da quarta onda, só há uma regra: não confie em ninguém. Agora “A Quinta Onda” está começando... Cassie está sozinha, fugindo dos Outros. Ela vive em uma Terra devastada, onde qualquer pessoa, até mesmo uma criança, pode ser o inimigo. Um inimigo que parece humano, que espreita em todos os lugares, pronto para aniquilar os últimos sobreviventes. Permanecer sozinha é permanecer viva – Cassie acredita nisso até encontrar Evan Walker. Mas será que ela pode confiar nele? Será que ele pode ajudá-la a resgatar o irmão? Chegou o momento em que Cassie deve escolher entre a esperança ou o desespero, entre enfrentar os Outros ou se render ao seu destino, entre a vida ou a morte. Entre desistir ou lutar!”



A 5ª Onda é uma distopia e, como tal, sempre me deixa com um pé atrás. Normalmente, invasão alienígena é um tema que fica muito bom em um filme, mas nos livros fica uma coisa chata, maçante, repetitiva. Maaaaas como eu já havia assistido o filme e simplesmente adorado, entrei de cara nesse livro (comprando não só ele, mas a trilogia toda. Rsrs).

Cassie é uma típica adolescente americana, cuja maior preocupação é beijar o garoto dos sonhos: Ben Parish. Além, é claro, de se formar no ensino médio, ir ao baile de formatura e essa parafernália toda, típica das histórias americanas. Então, um dia, tudo muda.

As naves estranhas pousadas na atmosfera terrestre, já quase esquecidas, resolveram atacar. Mas nem pense em homenzinhos verdes, com vários olhos, melequentos, apontando armas avançadíssimas. Nada disso. O primeiro ataque foi um pulso eletromagnético que acabou com toda a energia do planeta. Sem luz elétrica, sem celulares, sem automóveis. Apenas escuridão. E caos.

A segunda onda foram desastres naturais. Terremotos, enchentes, furacões, tsunamis. Cidades completamente dizimadas e destruídas. A terceira onda, uma peste transmitida pelos pássaros. Milhares de pessoas mortas e outras centenas quase mortas-vivas. 

E então, a quarta onda: os Outros. Parece que os extraterrestres já haviam estado na terra há muitos anos, se infiltrando em humanos para formarem um exército quando chegasse a hora: os Silenciadores, que tinham como função atirar em qualquer humano sobrevivente.

Agora, Cassie estava em uma missão de sobrevivência. Sua mãe morreu com a peste, seu pai foi silenciado. Seu irmão, Sammy, de apenas 5 anos levado para uma base militar com a promessa de que ela jamais o abandonaria – e ela estava falhando com ele.



“O fraco foi varrido para longe. Essa é a falha no plano mestre de Vosch: se não matar todo nós de uma vez, não serão os fracos que vão sobreviver. É o forte que vai permanecer, os dobrados, porém intactos, como as barras de ferro que davam resistência a esse concreto. Enchentes, incêndios, terremotos, doenças, fome, traições, isolamento, assassinato. O que não nos mata nos fortalece. Endurece.” (pág. 358)



Lutando para encontrar seu irmão e sobreviver, Cassie encontra Evan Walker: aparentemente um filho (órfão) de fazendeiros e gato demais. Mas nosso galã parece ser muito mais do que deixa transparecer. Ao mesmo tempo em que se apaixonam, os dois travam grandes lutas internas sobre o que é o certo a se fazer em seguida. 

Simultaneamente à corrida de Cass, acompanhamos a vida na base militar, onde estão Sammy, o irmãozinho de Cassie, e – acreditem se quiserem – Bem Parish, que é, inclusive, comandante da unidade na qual o menininho foi alocado.

O enredo é regido por diversas perguntas: Até onde você iria por aqueles que ama? E se essas pessoas fossem as últimas sobreviventes de um ataque extraterrestre? E se você não soubesse se os entes queridos ainda são humanos? As páginas que se seguem a cada um desses questionamentos são cheias de descobertas, tomadas de decisões e as consequências que tudo isso traz para cada sobrevivente.

O livro é dividido em 13 partes, cada qual com uma representação da capa (em cinza), a qual é representada, em tamanho muito menor, acima de cada página do livro – conferindo ao volume um charme todo especial. Essas partes são subdivididas em capítulos curtinhos, impossíveis de largar (e fáceis de serem usados como desculpa para o ‘- só mais esse capítulo’ rsrs). Percebe-se que a Editora teve um cuidado para com a edição deste livro.

Vale muito a pena ler! Já estou ansiosa para começar o próximo volume. 

Até mais, gente bonita! :)

Gabriele Sachinski
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