Resenha do livro: Introdução à Linguística I: Objetos Teóricos de José Luiz Fiorin (Org.)

terça-feira, 13 de março de 2018


          Editora Contexto
           Linguística/Estudo e ensino/Língua Portuguesa
           Número de páginas: 227

“Abrangendo os principais objetos teóricos da Ciência da Linguagem, Introdução à Linguística traz para todos os interessados na compreensão da linguagem humana um repertório vastíssimo que abarca desde uma explicação do que é a Linguística, de como se processa a comunicação humana, até chegara uma apresentação minuciosa de seus cinco principais objetos teóricos criados nos séculos XIX e XX (langue, competência, variação, mudança e uso). Escrito por uma equipe de especialistas, sob a coordenação de José Luiz Fiorin, com textos testados em sala de aula, a obra consegue a proeza de ser ampla sem correr o risco de superficialidade.  Mais que um livro, é um curso completo de Introdução à Linguística, agora à disposição de professores e alunos das universidades brasileiras.”

Não sei se todos sabem, mas sou formada em Letras pela PUCPR. Sempre fui apaixonada pelos livros, porém não foram eles que me levaram a escolher esse curso. Minha decisão venho do amor que tenho pela Língua Portuguesa. Amor este que só se fortaleceu com a leitura de livros como Introdução à Linguística I.
Esse livro é leitura quase que obrigatória para os ingressantes no curso de Letras, uma vez que oferece um panorama geral de alguns conceitos básicos da Linguística, escrito por especialistas na área.

“Introdução à Linguística I: Objetos Teóricos” é uma coletânea de artigos que elucidam temas que vão desde o surgimento da Linguística, perpassando por seus objetos teóricos mais antigos e atuais e mostrando os fenômenos naturais das línguas nativas: a variação linguística.
 
“[...] sem a linguagem não há como conhecer o homem. Ao mesmo tempo, [...] sem conhecer a Linguística não há como conhecer a linguagem, não há como decifrar seus mistérios, não há como revelar sua epifania.” (pág. 09).

O livro tem, ao todo, 10 capítulos e em cada um deles uma importante parte da Linguística é explicada de maneira bem clara. No primeiro, há a diferenciação entre Linguagem (capacidade de se comunicar), Língua (os idiomas, por assim dizer) e Linguística (a ciência que estuda os conceitos anteriores), baseando-se nos conceitos de Saussure, o pai dos estudos linguísticos.

O segundo artigo aborda os modelos teóricos desenvolvidos acerca da capacidade humana de se comunicar. Muitos desses modelos servem de base ainda hoje para o trabalho de outras áreas do conhecimento, tais como o modelo de Jakobson, base para a construção dos discursos jornalísticos e publicitários.

O capítulo seguinte trata sobre os signos linguísticos e a forma como construiu-se um acordo consensual e coletivo a respeito de seus sentidos no dia a dia. Para ficar mais claro, cada signo linguístico seria equivalente a uma palavra, a qual sempre evoca uma imagem no cérebro, a fim de que esse a interprete. Para exemplificar esses conceitos, o autor se apoiará em dois grandes clássicos da literatura: Alice no País das Maravilhas e As viagens de Gulliver.

No capítulo quatro é a vez de esmiuçar o objeto teórico da Linguística: a língua e todas as variações de sentido que esse termo possui, de acordo com a teoria em foco – gerativista, de Chomsky, ou estruturalista, de Saussure.

O capítulo seguinte vai tratar sobre a importância de se estudar a Língua Portuguesa na escola, mesmo que saibamos usá-la (com certa proficiência) desde os 4 anos. Na minha opinião, esse é o capítulo mais legal do livro, pois mostra a relação estreita que há entre as grandes áreas dos estudos linguísticos (fonética e fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática).

Os três capítulos seguintes abordarão a questão da variação linguística e as mudanças que esse fenômeno natural causa nas línguas – aqui eles explicam, por exemplo, por que e como passamos de “Vossa Mercê” para “Você” (já adianto, foi um longoooo processo rs).

O penúltimo artigo fala sobre a linguística textual, ou seja, as subcamadas do texto e os motivos (conscientes ou não) que levaram o autor a fazer certas escolhas linguísticas ao invés de outras. Toda forma de comunicação é intencional, e toda escolha lexical traz consigo uma carga semântica que induzirá o leitor a interpretar o texto de uma maneira e não de outra.

Por fim, apresenta-se um panorama sobre as teorias de aquisição de linguagem, ou seja, as várias visões teóricas (não apenas de linguistas, mas de outros estudiosos, como, por exemplo, psicólogos.) que se tem sobre a capacidade humana de comunicar-se por sistemas linguísticos. Se o capítulo cinco eu classifiquei como mais legal, esse eu classifico como obrigatório – mesmo para aqueles que não cursam Letras. Se você tem (ou pretende ter) filhos, leia esse artigo. Se você conhece uma criança, leia-o – você nunca mais encarará um “ága” (água) da mesma forma. Se você se interessa por games ou programação de computadores, sem dúvidas, leia esse capítulo. Com certeza, você ficará admirado (e encantado) com a complexidade do nosso cérebro em ser capaz de desenvolver e aprender sistemas linguísticos de comunicação.

Depois de tudo isso, é mais do que óbvio que eu indico esse livro, pois embora seja uma leitura ‘teórica’, ela é bem clara e autoexplicativa, voltada, também, aos leigos no assunto. E se você pensa em cursar Letras (<3), ou e interessa por essa área, a leitura desse livro pode te oferecer uma ideia bem ampla do que esperar do curso :)

Gabriele Sachinski

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