Resenha do livro: O Treinador do meu Sobrinho de Vanessa Gramkow

terça-feira, 19 de setembro de 2017




               Ella Editora
               Romance/Literatura Brasileira
               Número de páginas: 146

Sinopse: “Duda aprendeu que a vida não era fácil, mas nunca se deixou abater pelos obstáculos. Conhecida por sua personalidade ousada, ela valorizava sua própria liberdade acima de quaisquer sentimentos. A vida estava sempre sob seu controle... até seu sobrinho, o jovem tenista Igor, garantir-lhe que André, seu treinador, seria o “homem ideal” para ela. Duda não acha que precisa de qualquer relacionamento sério, aliás, aprendeu que o amor não existe para todos, especialmente não para ela. Por isso, tudo soava muito divertido quando Duda soube que finalmente conheceria o “tão mencionado” André; o problema é que o tal “homem ideal” era um babaca que parecia muito disposto a irritá-la. Agora, Duda precisará lidar com as expectativas românticas de seu sobrinho, a monitoria estressante de sua irmã mais velha, o confronto com seu próprio passado doloroso e a verdade de que nunca é tarde para aprender a amar.”

Maria Eduarda é fotógrafa e uma típica mulher atual, batalhadora, ousada, independente e com um temperamento forte. De brinde, ela tem uma cabeça dura e um medo gigantesco de se apaixonar, consequência da morte precoce de seus pais. Duda cresceu apenas com sua irmã, Mariana, a qual é um pouco controladora e não entende a forma livre com que sua irmã leva a vida.

Como vocês podem imaginar, Duda é vista como a tia maneira para qualquer garoto de 13 anos. Igor simplesmente adora sua tia e pede para que ela o fotografe no campeonato de tênis do qual irá participar. Atendendo ao pedido do sobrinho, Duda larga tudo e volta para o Brasil, justamente na época de carnaval.

Como prefere viajar de madrugada, o táxi de Duda acaba ficando preso em meio a uma turba de foliões retardatários. Vendo nisso uma ótima oportunidade para tirar algumas fotos, Duda desce do carro e vai para a rua. É então que ela conhece um cara tão ousado quanto ela, capaz de mexer profundamente com ela com apenas um beijo.

Não demora muito para Duda descobrir que o desconhecido arrogante que encontrou na madrugada é André, o treinador do seu sobrinho, exatamente quem Igor já havia afirmado ser o cara certo para ela, capaz de fazê-la abandonar sua ‘vidinha de balada’ e sossegar ao lado do amor da sua vida.

“Odiava pensar que, não importa o quanto amemos uma pessoa, um dia iremos perdê-la. Acho que por causa disso, sempre fechei meu coração aos homens e nunca me entreguei a uma paixão avassaladora. Tinha medo de me magoar e não estava a fim de perder mais ninguém. Queria ter a lembrança de sofrer por amor apenas por meus pais, pois essa já era uma dor grande e não estava disposta a suportá-la novamente.” (pág. 35)

A atração entre Duda e André é inegável, fazendo com que ela não encontre outra saída a não ser aceitar que está se apaixonando pelo cara mais irritante do planeta. Basta apenas uma noite juntos para que Duda crie coragem para enfrentar sua irmã e assumir seus sentimentos. Pelo menos, essa era a ideia, até que, na manhã seguinte, nossa protagonista é apresentada à Vitória, a esposa de André.

Revoltadíssima consigo mesma por cair na cilada do amor (ô palavrinha supervalorizada, né?), ela resolve reatar com Alex, um ex com quem Duda teve uma história um tanto quanto tumultuada. Mas, como todo mundo sabe, voltar com ex é como tomar banho e vestir roupa suja, Alex, apesar de ser um fofo, não é capaz de fazer com que Duda tire o cafajeste da cabeça.

Não vou ficar aqui querendo fazer suspense, quando é óbvia a maneira como a história termina. Porém, o caminho que Maria Eduarda teve que percorrer até engolir seu orgulho e admitir que talvez o amor pudesse realmente existir foi o que mais gostei na história. Entretanto, a evolução da Duda como personagem não condiz com a maturidade de suas atitudes: ela passa de uma mulher independente e de atitude para uma menina birrenta e malcriada, achando que todos têm a obrigação de fazer o que ela quiser, só porque ela finalmente resolveu assumir o que sente.

O livro é bem curtinho, então tudo acontece bem de repente e algumas pontas acabam ficando soltas, mas a história tem um final bem gracinha. A narrativa é escrita em primeira pessoa, as páginas são brancas e a diagramação é simples. Um ponto negativo foi a revisão do texto, pois tem alguns erros de língua bem comprometedores (tá, eu sei, sou insuportavelmente gramaticalista. Sorry). Contudo, de modo geral, Vanessa consegue demonstrar seu grande potencial, o que é simplesmente maravilhoso, pois a literatura brasileira carece de novos bons autores.

Enfim, se você está procurando um romance envolvente e rápido, O Treinador do meu Sobrinho será uma companhia agradável para uma tarde de domingo.


Gabriele Sachinski

Minha Caixinha do Correio #59

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Olá gente,

Segue a 1ª caixinha do correio dos livros acumulados dos últimos meses. Dividi os livros em 3 postagens para não ficar enorme hahaha. Os livros são lindos e em breve resenha de todos eles.  



CORTESIAS

Recebi da editora Arqueiro, o livo "O Duelo dos Imortais" de Colleen Houck junto com bottom. Amo essa série <3. Obrigada Arqueiro!




Recebi da editora Arqueiro, o livo "Meus Dias Com Você" de Clare Swatman junto com bottom e marca página magnético. Obrigada Arqueiro!




Recebi da editora Novo Conceito, o livo "Provence: O lugar onde se curam corações partidos" de Bridget Asher. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livo "Caraval" de Stephanie Garber. Obrigada Novo Conceito!





Recebi da editora Novo Conceito, o livo "Um Verão para Recomeçar" de Morgan Matson. Obrigada Novo Conceito!





TROCAS


Troquei no terminal de ônibus em São Paulo, os livros "Por um Fio" de Drauzio Varella e "Mensagens de Ignês de Castro" de Francisco Cândido Xavier e Caio Ramacciotti.

Já li e adorei o livro do Drauzio Varella. Em breve resenha!




Até a próxima.

Beijos

Resenha do livro: Lonely Hearts Club de Elizabeth Eulberg

domingo, 20 de agosto de 2017




             Título original: The Lonely Hearts Club
           Editora Intrínseca
           Literatura Infanto-Juvenil Norte Americana
           Número de páginas: 238


Sinopse: “Penny Lane Bloom cansou de tentar, cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. Exceto os únicos quatro caras que nunca decepcionaram uma garota — John, Paul, George e Ringo. E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única afiliada do lonely hearts club — o lugar certo para a mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz. Lá, ela sempre estará em primeiro lugar, e eles não são nem um pouco bem-vindos. O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver as amigas mudarem completamente (quase sempre, para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí para elas. Agora, todas querem fazer parte do lonely hearts club, e Penny é idolatrada por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será realmente que nenhum carinha vale a pena?”                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
Lonely Hearts Club é um daqueles livros que nos cativa logo de cara. A premissa é chamativa, a capa interessante e a frase de efeito me dizia tudo o que estava sentindo no momento em que comprei o livro. Nem preciso dizer que esperava muito dessa leitura e fico feliz em afirmar que fiquei completamente satisfeita.

Penny Lane acaba de ter uma decepção amorosa (mas quem nunca?) com seu namoradinho de infância e, por isso, passou a desacreditar completamente nos garotos. Cansada de sempre quebrar a cara nos relacionamentos e de ver suas amigas passarem por isso também, ela decide que não irá namorar nunca mais. Ou, pelo menos, não enquanto não terminar o Ensino Médio.

É nesse momento que ela decide fundar o Lonely Hearts Club, do qual passa a ser presidente e única integrante. Mas essa sua solidão não duraria muito tempo, pois a insatisfação amorosa não era exclusividade de Penny e mais garotas passaram a integrar o Clube, começando por suas melhores amigas, Tracy e Diane.

“Pra ser sincera, estou cansada de tudo. Os joguinhos... os garotos... tudo. Duvido que haja aqui alguma menina que nunca tenha ficado obcecada imaginando se aquele garoto iria ligar, ou se teria companhia para ir a uma festa. E por causa da pressão para fazer isso e aquilo com um garoto, acabamos nos conformando com alguém que não vale a pena [...] Por que fazemos isso? Por que nos damos o trabalho?” (pág. 113/4)

Aos poucos, Penny e o Clube foram ficando populares. O que mais me chamou a atenção foi a forma como a autora nos mostra a força das amizades sinceras, aquelas que nos apoiam e nos compreendem acima de tudo, sem jamais nos julgarem. É de mais amigos assim que o mundo precisa!

O livro é infanto-juvenil, então não é difícil imaginar que haverá cenas clichês e até mesmo um romance, mas tudo foi muito bem escrito e mesmo já imaginando o final, gostei muito da maneira como Elizabeth encerra a história, colocando sempre a amizade em primeiro lugar e nos mostrando que nós, mulheres, não estamos em uma eterna competição para ver quem tem o corpo mais bonito, o melhor cabelo etc., nem precisamos acabar umas com as outras para nos sentirmos melhor e MUITO MENOS precisamos de um namorado para sobreviver!

O livro é escrito em primeira pessoa e flui muito bem, em poucas horas a leitura é finalizada. As páginas são amarelas e a diagramação está caprichada. Quanto à capa, título, sinopse e frase de efeito, já confessei ter sido fisgada por eles.

Recomendo e muito a leitura desse livro, principalmente se você busca por uma leitura leve e agradável. Amei! <3

Obs.: No momento, acho que vou fundar um Lonely Hearts Club para mim também, rs. E a primeira providência será acabar com as perguntas do gênero “Cadê seu namorado?”. Afinal de contas, quem disse que não podemos ser felizes e realizadas apenas porque estamos solteiras? Eu, heim! Kkkkk ;)


Gabriele Sachinski


Resenha do livro: Quarenta Dias de Maria Valéria Rezende

segunda-feira, 31 de julho de 2017




             Companhia das Letras
             Romance/Literatura Brasileira
             Número de páginas: 248


Sinopse: “Quarenta dias no deserto, quarenta anos." É o que escreve Alice, a narradora de Quarenta dias, ao anotar num caderno escolar pautado seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar para Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade. "Eu não contava mais horas nem dias", escreve Alice. "Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia.”

Quarenta Dias era o último livro de uma (imensa) lista de leituras que meu professor de Literatura Brasileira Contemporânea solicitou esse semestre. Eu havia acabado de ler Harmada e estava desnorteada ainda, imaginado o que Quarenta Dias me reservava. Fico feliz em lhes dizer que foi uma grata surpresa.

Um livro surpreendente leve e emocional. Uma história tão verídica que chega a doer. Contada com uma simplicidade, uma delicadeza, que contribui ainda mais para seu caráter reflexivo.

Alice nasceu na Paraíba, se apaixonou, teve uma filha, enviuvou e trabalhou a vida toda como professora de francês. Um dia, sua filha, que estava muito bem casada com um gaúcho e morando no Rio Grande do Sul, resolve que queria ser mãe. Na mente minúscula dela, Alice deveria largar tudo, pedir aposentadoria e vir morar com ela, para cuidar do neto (é o fim da picada).

É claro que essa não era a ideia de futuro que Alice tinha em mente, cuidar de criança e morar em uma geladeira (para ela, nordestina, as temperaturas do sul eram congelantes), mas, depois de muita chantagem emocional por parte da filha, ela acaba aceitando.

Gente, essa filha da Alice me deixou com tanta raiva, mas tanta raiva que vocês não têm ideia! Como se não bastasse achar que a mãe dela era babá e fazê-la vir morar do outro lado do Brasil, a bonita resolve ir para a Europa. Isso mesmo. Ela arrasta a mãe para o Rio Grande do Sul e daí vai para a Europa com o maridex, bem linda e formosa, e abandona a mãe em uma terra desconhecida, onde ela não tem amigos e ainda é descriminada.

O que vocês acham que aconteceu com a Alice? Surtou, é claro. Surtou e saiu correndo. Entrou em um táxi, foi parar no apartamento dela (do qual ela também não gostava), inventou uma história de viagem para caso a procurassem e ficou escondida.

Foi então que uma amiga lá da Paraíba liga para ela contado do Cícero, filho de uma outra amiga, que estava trabalhando no RS e simplesmente parou de dar notícias para a mãe. Será que a Alice não podia procurar por ele e avisá-lo de que a mãe estava preocupada com a falta de notícias? Claro, claro ela faria isso.

Essa foi a desculpa perfeita para ela sair andando sem rumo pelas ruas do Rio Grande do Sul, sempre munida da história do Cícero e sua mãe, coitada, preocupada com o filho perdido em uma terra distante.

Alice vaga pelas ruas, becos e favelas por quarenta dias. E o mais importante: ela faz isso por opção. Dorme nas ruas, sofre preconceito, se redescobre. É estranho pensar que uma professora aposentada, com um apartamento novinho em folha e uma filha financeiramente estável (embora emocionalmente ausente) opte por viver nas ruas, dormir no chão, tomar banho na rodoviária. Mas para onde mais ela iria? Voltar para uma casa vazia? Para as conversas com seu caderno-diário ou com a diarista? Que vida ela tinha para que pudesse ter para onde voltar?

“Aqui no caderno eu paro agora, Barbie. Vou cuidar das urgências, da luta contra o caos material, que o outro caos, o da minha cabeça, já não me preocupa tanto.” (pág. 203)

É interessante ressaltar que só ficamos sabendo disso tudo depois que ela já voltou para casa. Como não tem com quem conversar, conta suas andanças para um caderno da Barbie, o qual salvou de ir para o lixo no dia em que sua filha fez suas malas para a mudança. É triste pensar em como essa história é real.

Assim como a filha de Alice, existem muitas outras por aí. Que pensam que suas mães não fizeram o bastante em criá-las, precisam criar os netos também, enquanto elas vão em busca de seus objetivos pessoais. Nada contra quem conta com a ajuda dos avós para cuidar de seus filhos, mas a questão aqui é que Alice não queria isso. Ela não queria ter que abrir mão de sua liberdade, sua profissão, sua casa, sua terra, sua vida e ser arrastada e ‘reduzida’ ao papel de avó. Abandonada em uma terra estranha, gelada, sem ninguém. Só com um caderno com uma boneca boba e sem vida. Sem ninguém para conversar. Sem amor.

É triste constatar que é essa a visão que se tem da mulher ainda hoje. Nem toda luta pelo empoderamento feminino foi capaz de acabar com a mentalidade pequena de que a mulher nasceu para constituir família. Crescer, casar, ser mãe, ser avó, morrer. Morrer. Morrer infeliz, talvez? Não realizada? Ou morrer como uma forma de então se libertar do padrão feminino imposto pela sociedade?

Nesses quarenta dias, durante os quais Alice conheceu todo o tipo de gente, por onde andou sua filha? Passei o livro todo me perguntando isso. Cadê aquela desmiolada? Foi para a Europa passear e deixou a mãe, abandonada, triste e sem rumo. Será que em momento algum a consciência dela não pesou? É capaz alguém ser tão insensível assim com a mulher que lhe deu a vida?

Nessa história, só conseguimos saber o que Alice conta para a Barbie, apenas aquilo de que ela se recorda de ter vivido. Presente e passado vão se mesclando para a construção do enredo e alguns trechos acabam abruptamente. E é assim o final do livro: de repente, acabou.
Mas assim também não o é o fim da vida?...



Gabriele Sachinski

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