Resenha do livro: As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift

quinta-feira, 23 de junho de 2016




             Título original: Gulliver’s Travels
             Editora Companhia das Letras 
             Literatura Estrangeira/Literatura de Viagem/Sátira/Fantasia
             Número de páginas: 448


Sinopse: “Em Viagens de Gulliver, polêmica obra-prima do século XVIII que mistura literatura de viagem, aventura e ficção científica, Jonathan Swift expõe o homem, suas instituições, seu apego irracional ao poder e ao ouro, e sua insistência em prolongar a vida.”

Tendo como título original “As viagens através de várias e remotas nações do mundo, por Lemuel Gulliver, primeiramente cirurgião e depois capitão de vários navios”, a obra é um clássico da Literatura de Língua inglesa e foi escrita em 1726, por Jonathan Swift. 

No livro, o autor divide as viagens em Quatro Partes e em cada uma delas ele faz uma crítica à Inglaterra do século XVIII, ao colonialismo inglês e a humanidade em geral. 

Na Parte I, Viagem a Lilipute, Gulliver se depara com homenzinhos cerca de doze vezes menores que os homens. Os liliputianos estavam em constante conflito com os habitantes (do mesmo tamanho) da ilha vizinha, Blefuscu. O motivo da briga era o lado de quebrar o ovo, se pelo lado maior ou menor. 

Nessa parte do livro, Swift faz uma crítica aos motivos fúteis pelos quais a Inglaterra (e a Europa em geral) iniciava suas guerras e também demonstrava o quanto é fácil subjugar os demais quando se é ‘superior’ aos demais (fisicamente ou economicamente).

Na segunda parte do livro, Viagem a Brobdingnag, há uma inversão dos tamanhos das personagens. Agora, a terra é habitada por gigantes que fazem de Gulliver um brinquedo e uma atração para o povo.

Por meio das conversas entre o marinheiro e o rei de Brobdingnag, o autor faz uma dura crítica à utilidade dos exércitos, aos massacres, às guerras e conspirações históricas e ao governo inglês. 

“Noto entre vós a constituição de um governo que, no seu princípio, foi talvez suportável, porém que o vício desfigurou por completo. Não me parece até, por tudo quanto me disseste, que uma única virtude seja requerida para alcançar alguma função ou algum lugar eminente” (p. 135)

Na Parte III, Viagem à Lapúcia, aos Balnibarbos, a Luggnagg, a Globbdudrib e ao Japão, Gulliver conhece a ilha flutuante e a Academia de Lagado, a terra onde fantasma servem as pessoas e a terra dos imortais. Mas vamos por partes (rs).

Em Lapúcia, a ilha voadora, os habitantes viviam perdidos em seus pensamentos e precisavam de ‘batedores’, ou seja, criados que tinham uma espécie de bexiga para baterem no rosto de seus amos, a fim de que estes fossem capazes de terminar um raciocínio sem se perder em outro. Lapúcia (ou Laputa) sobrevoa e governa a ilha de Balnibarbos, controlando a chuva e o sol que chega a essa ilha. Aqui, Swift cria uma metáfora com o intuito de criticar os governos que oprimem ‘pairando’ sobre determinado povo e as ferramentas que os opressores utilizam para isso.

Descendo aos Balnibarbos, Gulliver conhece a Academia de Lagado, na qual eram valorizados o cálculo, a matemática e a lógica. Na academia em questão, vários projetos eram criados, mas eles não tinham muita utilidade prática. Um desses projetos era começar a construção das casas pelos telhados (vê se pode, hein). Com isso, podemos perceber uma crítica mordaz às Universidades, as quais se preocupam em ter o status do saber, mas não em como aplicá-lo na realidade prática.

Em uma rápida passagem em Globbdudrib, nosso viajante encontra um homem que tem como dom invocar os fantasmas dos mortos para servi-lo. Desse modo, Gulliver pôde encontrar Sócrates, Thomas More, entre outros. Por meio da conversa com esses fantasmas, Gulliver constata que os vícios da humanidade não mudaram ao longo dos anos.

Ainda na parte três, O protagonista vai até Luggnagg, onde conhece os Struldbruggs, os imortais. A ideia de imortalidade parece bastante atraente a Gulliver, até ele descobrir que viver pra sempre não significa ter eternamente 20 anos, mas sim, enfrentar todos os problemas da velhice sem nunca ter como pôr um fim a eles.

Na última parte do livro, Viagem ao país dos Huyhnhnms, o autor coloca os cavalos como seres racionais e virtuosos, enquanto os homens – na figura dos yahoos – são irracionais e violentos. Nessa seção o livro, o autor faz uma crítica mordaz à forma de ser humano.

Nesse livro, Jonathan Swift não narra apenas os lugares que Gulliver visitou, mas como eles o transformam, pois quanto mais ele se distanciava, mais olhava criticamente para sua terra de origem e para si mesmo.

As páginas o livro são brancas e a diagramação é simples. A história é narrada em primeira pessoa e a capa faz alusão à primeira viagem. Pra quem vai ler a história pela primeira vez, aconselho a ir de cabeça aberta e sem a ideia de que é uma historinha para crianças. Não é. O texto é uma sátira extremamente crítica e, ao fim, acabamos por perceber que, apesar de ter sido escrita no século XVIII, ainda é bastante atual.


Gabriele Sachinski


6 comentários:

  1. Com o passar dos anos este livro acabou sendo destinado, erroneamente, somente ao público infantil e assim perdeu sua essência: a crítica estruturada de maneira irônica e perspicaz. São resenhas como essa que podem recuperar essa riqueza!

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    1. Olá, Marina.

      Obrigada por seu comentário :) Concordo contigo, pois é realmente uma pena que um livro tão crítico seja considerado apenas como literatura infantil.

      Beijinhos

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    2. Um livro de leitura leve, constituído por "viçosas" entrelinhas. Recomendo too. Sobre a resenha muito boa!
      Parabéns,

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    3. Obrigada, Felipe :)

      Abraços.

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  2. Ainda não tive a oportunidade de ler As viagens de Gulliver, mas com certeza deve ser uma história magnífica, sua resenha só me deixou ainda mais ansiosa para começar a leitura :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Olá, Monique

      Vale a pena ler, rs. Quando terminar, me diz o que achou ;)

      Beijos

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